Pecuarista x Agricultor – A percepção das plantas daninhas

Prezado leitor, com este artigo me apresento como novo colaborador deste veículo, onde pretendo mensalmente focar nos temas: plantas daninhas em pastagens, espécies e sua biologia, impactos na produtividade forrageira, métodos de controle e uso de herbicidas, entre outros.
E dando início ao tema do título proposto, coloco para reflexão do leitor: pecuaristas e agricultores tem a mesma percepção do problema relativo às plantas daninhas nas suas áreas de exploração econômica? Gastam a mesma energia enfrentando o problema? Sabem como enfrentar o desafio, e são igualmente bem-sucedidos? Agricultura.
Os 35 anos de vivência profissional no campo, mais em particular os últimos 25 no ambiente da pecuária, me mostram que não. Digo isso porque desconheço algum agricultor que ao comprar suas sementes de milho, soja, algodão, ou qualquer outro cereal, ou suas mudas de cana-de-açúcar, já de antemão não fez seu planejamento para compra do herbicida para o controle de plantas daninhas, além dos demais insumos fitossanitários como, inseticidas e fungicidas. Isso porque ao agricultor é muito claro: combate as plantas daninhas, ou não colhe, simples assim. Nenhum técnico precisa convencê-lo da importância desse controle, nem lhe mostrar quanto ele perde, caso sua cultura sofra a competição com plantas daninhas. E a pecuária?
E nosso amigo pecuarista, como encara esse fato? Posso imaginar que nessa altura do texto já devem estar incomodados alguns pecuaristas que encaram sua pastagem como “lavoura” e enfrentam com maestria o “mato” em suas pastagens. Me perdoem estes, mas quero me referir aqui à imensa maioria dos pecuaristas brasileiros que, de forma geral, relegam um baixo grau de importância para as plantas daninhas que infestam suas pastagens. E isso tem uma razão de ser. Como disse anteriormente, o agricultor combate as plantas daninhas, ou não colhe. No caso do pecuarista, bem ou mal, ele vende seus bezerros, engorda seu gado e o vende ao frigorífico, produz o seu leite, mesmo sem nenhuma ação de controle das invasoras. E a vida segue. Deixando de ganhar.
O grande problema é a falta de visão, ou de percepção, do quanto este pecuarista está deixando de ganhar caso seu pasto se desenvolvesse livre da mato-competição. Quantos animais a mais poderiam ocupar aquela mesma área? Nos trabalhos que temos conduzido ao longo de mais de duas décadas, facilmente observamos possibilidades de duplicar, triplicar, ou mais, a lotação de um pasto livre da competição, comparado às áreas onde esse controle não foi feito. Indicadores medíocres.
Esse é um dos principais fatores que levam a pecuária brasileira a produzir menos de 5@/ha/ano, ou possuir na média ao redor de 1 UA/ha. Também explica em boa parte o fato de mais de 50% de nossas pastagens possuírem de médio a alto grau de degradação.
Conclusão.
Se seu pasto é conduzido como lavoura, meus parabéns, e provavelmente está concordando comigo, caso seu pensamento se encaixe no “não faço nada e está bom demais”, não tem problema, desculpe a provocação, e espero em meus próximos textos continuar a  levá-lo à reflexão, onde discutiremos temas como: plantas tóxicas aos animais, tipos e espécies de plantas daninhas, métodos de controle, formas de aplicação, tecnologia de aplicação, e muito mais. Inclusive gostaria de receber sugestões de assuntos que o leitor estaria interessado em aprofundar no “universo das plantas daninhas em pastagens”. Até breve.

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.