El Niño pode afetar reconstrução de estoques de café

As expectativas de reconstrução dos estoques de café podem ser afetadas pela possibilidade crescente de um El Niño forte, colocando os mercados de volta em uma mentalidade de escassez.

“Ainda é muito incerto dizer o quão extremo ele se tornará e a maioria dos meteorologistas apostou apenas em um evento moderado, mas com o passar do tempo, as ideias de um retorno a um El Niño forte não estão sendo descartadas tão rapidamente”, disse a analista Judith Ganes-Chase.

Segundo ela, os produtores não estão vivenciando um longo período de clima neutro. Normalmente há cerca de sete anos entre um El Niño e outro, porém, este ano, as temperaturas oceânicas voltarão a subir, criando condições para o retorno do El Niño em menos tempo.

O ressurgimento do El Niño prejudicará o que se esperava que fosse um período de reconstrução dos estoques. “As secas ligadas ao fenômeno terminaram tarde demais para ajudar a produção em 2016/2017 e, para algumas colheitas, até a safra de 2017/2018 podem ser prejudicadas, como a colheita de robusta do Brasil”, disse Ganes-Chase.

O El Niño foi leve e nunca se fortaleceu muito, o que ajudou a fornecer um benefício positivo para as áreas que foram anteriormente atingidas. O Vietnã, por conta das chuvas torrenciais que prejudicaram a qualidade da safra de café de 2016/2017, foi a exceção, sofrendo também com o florescimento errático para a próxima safra.

Os mercados estão apostando na recuperação da produção global nesta estação, apesar do ano de baixa na produção brasileira de arábica, porém, se o clima piorar, isso pode não ocorrer, aumentando os receios de escassez mais uma vez.

Por enquanto, o mercado de café continua saturado. “Os preços do café tendem a subir na entrada de maio, mas então, uma vez que ficar claro que o inverno está livre de geadas, o mercado começa a recuar e pressiona fortemente para baixo o peso da safra brasileira”, disse a analista.

“Como foi relatado mês passado, um estoque abundante das nações produtoras compensou a menor produção no ano passado. Embora o Brasil tenha tido uma queda nas exportações, outros pequenos países produtores compensaram essa redução. A safra total dos países produtores está sendo maior do que foi no ano passado, aumentando a cada mês”, analisa Ganes-Chase.

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