China: antes tarde do que nunca

 
A notícia da semana, como não poderia deixar de ser, foi a liberação de 17 novas plantas para exportação para a China. Essa expectativa já existia no mercado há muito tempo, porém, as idas e vindas com relação a isso fizeram com que muitos participantes acreditassem que essa liberação aconteceria apenas durante a visita do presidente Bolsonaro à China, agendada para final de outubro. Dessa forma, a notícia do começo da semana surpreendeu a muitos e trouxe novo ânimo para o mercado futuro, que saiu do marasmo em que se encontrava para trabalhar em ambiente de alta.
O contrato de outubro chegou a fazer máxima no R$162,00, mas o maior destaque ficou com os vencimentos de nov/19 e dez/19, que retomaram suas cotações máximas no ano até agora com nov/19 a R$164,50 e dez/19, a R$165,90.
A conjuntura para as exportações, que já era bastante favorável, agora ganha um novo patamar, já que as novas habilitações mais do que dobram potencialmente a nossa capacidade de exportação à China. Esse dado é muito relevante porque no ano até agora, China e Hong Kong somados foram responsáveis por quase a metade de nosso volume exportado, e a potencial ampliação de volume num mercado que remunera adequadamente todos os tipos de cortes é extremamente positiva.
Além do benefício da China em si, a mera expectativa de maior direcionamento da produção brasileira para o gigante asiático tende a fazer com que os demais compradores da carne brasileira fiquem mais ativos no mercado, gerando também ganhos indiretos mesmo para as plantas não habilitadas à China. No caso das indústrias habilitadas, com a expectativa de maior oferta disponível, o cenário provável será de pressão baixista nos preços da tonelada exportada e maior disputa pelos animais abaixo de 30 meses elegíveis à exportação, o que, invariavelmente, comprimirá as ótimas margens atuais, mas mesmo assim mantendo-se como uma das melhores alternativas no mercado externo.
Até o momento, a maior parte do benefício da exportação para a China tinha ficado com as poucas indústrias habilitadas, sendo proporcionalmente pouco repassadas ao produtor. Agora, com a maior briga por animais, a boa e velha oferta x demanda tenderá a fazer esse cenário se inverter, proporcionando maiores ganhos aos pecuaristas.
 

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