Carta Grãos – Soja: estoques mundiais maiores em 2019 e câmbio e demanda pesando menos

A produção de soja deverá crescer nos principais produtores mundiais na temporada 2018/2019.
No Brasil, estima-se a produção em 120,07 milhões de toneladas (Conab), recorde. A colheita da soja precoce começou e os trabalhos seguirão ao longo dos primeiros meses de 2019.
A produção foi recorde também nos Estados Unidos, cuja colheita foi de 125,17 milhões de toneladas na temporada em questão (USDA). A colheita norte-americana terminou em novembro.
Já a Argentina, cuja colheita no ciclo passado caíra 31,7% em função da seca, deverá colher 55,50 milhões de toneladas, que se confirmadas, também será a maior da história. 
Somados, os incrementos da oferta nestes países teremos 23,63 milhões de toneladas em 2018/19 a mais, frente a safra passada. 
Do lado da demanda mundial, porém, a estimativa é de um aumento de 15,35 milhões de toneladas no mesmo período. 
Com isso, os estoques mundiais deverão crescer na temporada 2018/2019. O USDA estima 115,33 milhões em estoques finais. Veja a figura 1. 
É quase uma safra brasileira em estoques. Mas mais importante talvez que o volume absoluto em si, é movimento de aumento dos estoques mundiais apresentado nos últimos anos.
Figura 1.Estoques finais de soja no mundo, em milhões de toneladas.*expectativaFonte: USDA / Compilado pela Scot Consultoria
Considerações finais
O aumento da produção e dos estoques mundiais é um fator de baixa sobre os preços da soja grão em 2019.
No Brasil, esta pressão deverá ser maior no primeiro trimestre de 2019, com a colheita ganhando força no país.
Além do crescimento da oferta, outros fatores que corroboram com o cenário de preços menores para o grão em 2019, em relação a 2018 são: o câmbio, que deverá influir menos sobre os preços das commodities comparativamente com o que vimos em 2018; e a demanda, sendo que uma possível retomada das compras chinesas da soja norte-americana poderia reduzir a procura pelo produto brasileiro.
Por fim, vale lembrar que em 2018, estes fatores fizeram as cotações da soja subirem em plena colheita. Para 2019, o cenário deverá ser diferente.
 

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