Boi na máxima e milho na mínima

As últimas semanas foram bastante positivas para o pecuarista, com o mercado de boi gordo trabalhando em ambiente muito firme, alcançando os patamares máximos do ano até agora. 
Para completar a leva de boas notícias, a colheita da safra de verão de milho tem entrado no mercado, pressionando as cotações do cereal que estão na mínima do ano. 
No caso do boi, os preços mais altos foram suficientes para trazer mais oferta e as máximas de R$160,00/@, à vista, em São Paulo, permitiram um certo alongamento nas escalas tirando, pelo menos no curto prazo, a força da pressão altista observada nas últimas semanas. 
Com as programações de abate mais confortáveis, a indústria tem tentado recuar preços, porém, a boa condição das pastagens permite ao pecuarista permanecer duro na negociação. 
O que tem chamado a atenção de muitos é a relativa apatia do mercado futuro com relação à entressafra, já que o contrato de outubro, negociado ao redor de R$158,50/@ está abaixo até do que o Índice Esalq à vista atual, cotado em R$158,80/@. 
Um possível culpado para essa precificação que foge ao padrão histórico de safra x entressafra é justamente a queda de preços no milho, que ao baratear as dietas de confinamento e semiconfinamento trazem a expectativa de um aumento substancial de oferta no segundo semestre, capaz de inverter a tradicional curva ascendente de preços. 
A realidade, porém, talvez não seja tão condizente com a expectativa de mercado dessa forma, já que o maior custo do confinamento não é a alimentação, mas sim o boi magro e esse item é o que tem mais atrapalhado nas contas, já que o ágio dessa categoria tem sido substancial. 
Normalmente, em anos de comida barata o ágio do boi magro é o item que mais dificulta a vida do pecuarista e nesse ano esse item pode desincentivar um pouco a engorda confinada mesmo frente ao barateamento dos grãos.
Outra questão que se coloca é com relação à pressão baixista do milho na safrinha. É fato que teremos uma produção enorme na segunda safra de milho, que foi plantada dentro da janela ideal e contou com ótimas chuvas até agora, de modo que não é exagero afirmar que a safrinha já está “salva”.
O contraponto disso é que nos últimos anos a pressão de baixa durante a colheita tem sido cada vez mais estreita, com os produtores mais capitalizados optando por segurar sua produção, estocando-a em silos bolsa e aguardando melhores oportunidades de comercialização.
Além disso, a demanda esse ano tende a ser maior, já que as indústrias de suínos e de frango tendem a ampliar sua produção para atender a maior demanda dos mercados importadores afetados pela Peste Suína.
Enfim, apesar de a conjunção de fatores apontar para um bom ano para o confinamento, parece ser muito cedo para o mercado poder “decretar” a inversão de preços da safra e entressafra no boi.
Historicamente as exportações melhoram bastante no segundo semestre e nesse ano de peste Suína na China esse fator deve ser exacerbado. Veremos qual será o veredito final do “Sr. Mercado” a esse respeito…
 

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