A segurança alimentar e nutrição no mundo 2018 e no Brasil

Este material foi produzido a partir do relatório emitido em 11 de setembro de 2018, pela FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e que reporta a situação da fome no mundo. 
Segurança alimentar 
O objetivo das Nações Unidas é erradicar a fome no planeta até 2030. Acabar com a fome e estabelecer condições para que a segurança alimentar seja garantida. Além desses tremendos e nobres desafios pretende-se também melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável para que nunca deixe de existir condições para a produção de alimentos.
Porém, no relatório divulgado em 11 de setembro, os números não são otimistas. 
Pelo terceiro ano consecutivo a parcela da população mundial que sofre com algum tipo de desnutrição cresceu e saltou de 804 milhões de pessoas em 2016 para 821 milhões em 2017. Os esforços têm sido infrutíferos.
Desde 2005, início do monitoramento, até 2013 a quantidade de pessoas desnutridas no mundo estava diminuindo, porém, a partir de 2014, esse número está crescendo tendo aumentado 4,64% até 2017.
Apesar desses números ruins, não cresceu o número de crianças com menos de cinco anos com alguma deficiência alimentar, contudo a porcentagem ainda é alarmante, chegando a 151 milhões de crianças, ou seja, 22,2% das crianças no mundo nessa faixa etária. Um quinto. 
Figura 1.Porcentagem e número (em milhões) de pessoas desnutridas no mundoFonte: FAO/ elaborado pela Scot Consultoria
De acordo com o relatório, aproximadamente 10% da população mundial foi exposta a uma severa insegurança alimentar, variando de 1,4% em países da Europa e América do Norte e a 30% em países do continente africano. Esses números evidenciam a diferença social e econômica entre as regiões do planeta.
Além disso, a FAO também constatou um aumento na obesidade da população adulta e anemia em mulheres em idade reprodutiva. 
Crianças que sofreram algum tipo de restrição alimentar na infância somado ao estresse causados pela insegurança alimentar, e as limitações ao acesso a alimentos de alto valores nutritivos devido ao custo pelas pessoas de menor renda, podem explicar esse aumento de pessoas obesas no mundo. 
A situação no Brasil 
Neste cenário, o Brasil demonstrou grande eficiência em diminuir o número pessoas desnutridas no país que passou de 8,6 milhões em 2004-2006 para 5,2 milhões em 2015-2017. 
Porém, o número de adultos obesos subiu de 19,9% em 2012 para 22,3% da população em 2016, enquanto que a quantidade de mulheres em idade reprodutiva com anemia aumentou de 25,3% para 27,2% no mesmo período.
Os hábitos da população mudaram e a correria do dia a dia e a maior inserção da mulher no mercado de trabalho, faz com as pessoas procurem mais por alimentos rápidos, como os fast foods, que crescem mais a cada ano. 
Quem são os responsáveis? 
Segundo a FAO, são 3 os principais fatores responsáveis por afetar a segurança alimentar e nutrição no mundo: conflitos entre os países, variações climáticas e crises econômicas. 
O foco principal do relatório foi nas variações climáticas sofridas ao longo dos últimos anos. Os desastres climáticos e extremos de temperaturas foram os principais fatores de perdas na agricultura e pecuária no mundo. 
Somado a isso o El Niño que ocorreu em 2015-2016 também colaborou com um alto aumento de temperatura, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, sendo um dos mais fortes eventos em 100 anos em relação ao clima. 
Figura 2.Perdas nos setores alimentícios devido as variações climáticas em 2017.Fonte: FAO/ elaborado pela Scot Consultoria
Não dá para negar que estamos sofrendo mudanças climáticas bruscas ao redor do mundo e que isso impacta diretamente na produção mundial de alimentos.
Como mudar esse cenário?
É sim de extrema importância que procuremos cada vez mais produzir mais com maior eficiência, procurando sistemas mais sustentáveis e capazes de suprir a necessidade de alimento do mundo.
Porém também é sabido que a produção mundial de alimentos vai na contramão deste cenário e aumenta a cada ano. O desperdício de alimentos no mundo é assombroso chegando a 1,3 bilhão de toneladas ao longo de toda a cadeia alimentícia, ou seja 30% da produção mundial. 
Para que o objetivo da FAO seja alcançado em 2030, são inúmeros os desafios que ainda é preciso ultrapassar, incluindo o espaço limitado, já que os principais países produtores não têm mais área para expandir a produção, o crescimento populacional, questões de infraestrutura e logística, disponibilidade hídrica e outros insumos, entre outros, tornando ainda mais necessário o aumento da eficiência no agronegócio.  
Considerações finais 
A população tem que se tornar mais consciente em relação aos desperdícios e da importância do agronegócio nessa luta contra a fome no mundo e novos planos de distribuição dos alimentos devem ser feitos a fim de todos terem acesso aos alimentos produzidos. 
O Brasil é um ponto dessa equação muito importante a ser levado em consideração, já que ainda temos muita área ociosa e a baixa produtividade de nossos sistemas ainda nos prejudica. 
Temos uma janela muito grande de capacidade de produção de alimentos em comparação com outros países e com a tecnificação do campo e o desenvolvimento de técnicas cada vez mais precisas podemos aumentar e muito a nossa produtividade. 
Referência
FAO. The state of food security and nutrition in the world. 2018 https://www.fao.org/3/I9553EN/i9553en.pdf. Acesso em: 11/09/2018.

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