Zurich Airport e IG4 protocolam proposta para assumir controle do Aeroporto de Viracopos


Concessionária que administra terminal em Campinas (SP) enfrenta processo de recuperação judicial desde maio. Dívida é de R$ 2,8 bilhões. Vista aérea do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas
Ricardo Lima/Divulgação
Um consórcio formado pela Zurich Airport e a empresa brasileira IG4 Capital fez uma proposta para assumir o controle do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), em recuperação judicial desde maio. O documento foi protocolado ao processo na última sexta-feira (9) e ainda será avaliado pela Justiça.
Na “carta de intenções” que o G1 teve acesso, e que foi enviada às empresas e órgãos governamentais envolvidos no processo, o consórcio se compromete a investir entre R$ 150 milhões e R$ 400 milhões e prevê a conversão de dívidas em participação acionária.
Atual contraladora do terminal, a Aeroporto Brasil Viracopos tem uma dívida de R$ 2,88 bilhões. O montante se divide em débitos com bancos – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras quatro instituições privadas – além de fornecedores, inclusive empresas responsáveis por serviços diretamente ligados à operação do aeroporto, e outorgas fixas e variáveis de 2017 e 2018 que a concessionária deveria parar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pela concessão da estrutura.
Na proposta apresentada pela Zurich Airport e a IG4 Capital parte dessas dívidas seriam convertidas em participação acionária, ou seja, os credores passam a ser integrantes de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) gerido pela IG4.
Atuais controladoras da concessão, a UTC Participações, Triunfo Participações e Egis também converteriam suas ações em cotas do FIP.
Para isso ocorrer, no entanto, seria necessário um processo chamado due diligencie, uma auditoria para avaliar a real situação financeira da Aeroportos Brasil Viracopos, além de levantar questões regulatórias, tributárias, comerciais, ambientais e técnicas da concessão.
O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas
Ricardo Lima
O que diz a Aeroportos Brasil?
Procurada para comentar a proposta, a Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos confirmou o recebimento da carta de inteções, que a proposta será analisada, mas destacou que não tem nenhum posicionamento sobre o tema no momento. Confira a nota na íntegra:
“A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S.A. – em Recuperação Judicial (“Viracopos” ou “Concessionária”), responsável pela exploração e operação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), confirma que foi protocolada no processo de Recuperação Judicial da Concessionária uma Carta de Intenções, não vinculante, com sugestão para solução da viabilidade financeira do ativo. As condições apresentadas na Carta de Intenções serão avaliadas pela Concessionária e seus acionistas, em conjunto com seus assessores jurídicos e financeiros, não havendo no momento nenhum posicionamento sobre o tema. Para eventual aceite da sugestão, ou parte dela, deverá haver consentimento não só dos atuais acionistas da Concessionária como também dos credores da Concessionária, dentre os quais os bancos financiadores e a ANAC, dentro do processo de Recuperação Judicial.
A Concessionária e seus acionistas entendem que a concessão do Aeroporto Internacional de Viracopos é um ativo de qualidade e apresenta grande potencial de crescimento de receita, além de viabilidade econômico-financeira caso haja flexibilização de todos os envolvidos na Recuperação Judicial. O pedido de Recuperação Judicial foi fortemente pautado pela crise que assolou o país nos últimos anos, causando frustração de receita de passageiros e de cargas no período de 2013 a 2018.
Apesar dos motivos que levaram Viracopos a entrar com o pedido de Recuperação Judicial, o aeroporto foi eleito pelos passageiros pela 9ª vez desde o início da concessão em 2012 o Melhor Aeroporto do Brasil, de acordo com pesquisa da SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil). Ainda, em abril deste ano, recebeu o prêmio de Melhor Aeroporto de Carga do Mundo, na categoria até 400 mil toneladas/ano, o que apenas reforça a confiança dos acionistas na viabilização desta concessão.” 

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