'Vou fazer de tudo para não mandar ninguém embora', diz dono de bar fechado no Rio


Os dez funcionários do estabelecimento foram colocados em férias coletivas até o dia 22 de abril. Proprietário negocia pagamento de aluguel e diz torcer para voltar a abrir as portas logo. Preservar o emprego de dez funcionários é, há quase um mês, uma das maiores preocupações do empresário Irenildo Queiroz, de 65 anos, conhecido como Bigode. Há 14 anos ele mantém um bar e restaurante em Botafogo, um dos principais endereços comerciais na Zona Sul do Rio, e diz nunca ter vivido um cenário de tantas incertezas como o atual, provocado pela pandemia do novo coronavírus.
“Torcer para que isso acabe logo para a gente voltar a ter nossa vida normal, é o que eu espero. Tentar ver se eu consigo não demitir ninguém porque, sinceramente, eu não sei como fazer. Eu estou em casa confinado e não sei até quando”, desabafou bigode nesta quarta-feira (8).
Delivery, home office, aluguel atrasado, férias coletivas: as estratégias dos negócios para sobreviver
Dona de rede de lavanderias no Rio vê faturamento cair 70%
‘Desespero é não conseguir cortar custos’, diz sócio de escritório
‘Nunca tinha visto isso de desligar a economia’, diz empresário
‘Mercado de eventos é o primeiro a ser afetado com esse tipo de crise’, diz dono de buffet
Para sobreviver, bar tenta se adaptar ao delivery e à ‘barricada’
Com bar fechado, empresário do Rio avalia suspender contrato de funcionários
O G1 falou com Bigode pela primeira vez no dia 16 de março, uma segunda-feira, quando as autoridades públicas do Rio de Janeiro, tanto municipal quanto estadual, ainda avaliavam quais medidas tomariam para tentar conter a disseminação do novo vírus. Foi naquela data que o governador Wilson Witzel anunciou que decretaria situação de emergência no estado.
Irenildo Queiroz, o Bigode, mantém um bar e restaurante em Botafogo, na Zona Sul do Rio, há 14 anos
Daniel Silveira/G1
“Hoje [16 de março], a princípio, eu não senti nenhum baque na [demanda por] refeição no horário de almoço”, contou Bigode na ocasião. Naquele dia, no entanto, ele já havia decidido não abrir o estabelecimento à noite.
Somente no dia seguinte, 17 de março, sairia um decreto estadual restringindo parcialmente o funcionamento de bares e restaurantes, que deveriam limitar o número de clientes nas mesas e no ambiente interno. A medida gerou impacto imediato: no dia 18, Bigode viu o movimento cair em mais de 70%.
A clientela do Bigode durante o dia, quando o carro chefe do bar são as refeições do almoço, é majoritariamente de funcionários das inúmeras empresas do entorno. Já à noite, no happy hour, o movimento era dividido entre os executivos e estudantes universitários das faculdades que funcionam na vizinhança.
No dia 18 de março, o Boteco do Bigode ainda abriu as portas, mas quase não teve movimento de clientes
Daniel Silveira/G1
Naquele dia 18 de março, muitas empresas já havia adotado o trabalho remoto e as universidades suspendido as atividades presenciais. Bigode, no entanto, ainda esperava manter o bar aberto para almoço. Ele já havia dispensado fornecedores, contando com o estoque já feito.
“Tenho fé em Deus, que eu vou conseguir manter meus funcionários. Vou fazer de tudo para não mandar ninguém embora”, afirmou Bigode ao G1 naquele dia.
Portas fechadas, empregos em xeque
Na semana seguinte, porém, Bigode teve que fechar o bar integralmente. Um decreto municipal proibiu o funcionamento de bares e restaurantes, que passaram a poder atender somente por meio de delivery, alternativa que não era viável para Bigode.
A solução de Bigode, orientado pelo contador, foi conceder férias coletivas a todos os funcionários até o dia 22 de abril. A remuneração das férias pode ser parcelada em três vezes, aliviando o caixa do bar.
Passadas duas semanas, Bigode contou que insiste na negociação do aluguel “de forma coerente que dê para eu pagar e que também não fique tão desesperador para os proprietários do imóvel”. Para ele, neste atual contexto, “um tem que dar a mão para o outro”.
Com o bar fechado, Bigode diz passar os dias sentado na porta de casa, vendo o tempo passar e torcendo para que a situação se normalize logo. A manutenção dos dez funcionários empregados agora, segundo ele, começa a ser reavaliada.
“Existe a possibilidade de suspender os contratos dos meus funcionários por dois ou três meses, de acordo com a legislação”, disse.
Ele se refere à Medida Provisória que permite, dentre outras medidas, algumas empresas específicas que estão com as atividades paralisadas a suspender por até 60 dias os contratos de trabalhos. Nesse caso, os trabalhadores receberão uma compensação do governo de até 100% do seguro-desemprego.
No período de suspensão, os salários não são pagos, e o empregado não poderá permanecer trabalhando para o empregador, ainda que parcialmente, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou trabalho à distância.

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.