Unesp de Jaboticabal ganha centro de pesquisas para controle biológico de pragas da cana-de-açúcar


Com aporte de R$ 8 milhões de parceria público-privada, laboratórios vão desenvolver técnicas para reduzir uso de agrotóxicos contra insetos e doenças que prejudicam lavouras. Campus da Unesp em Jaboticabal, SP
Aurélio Aureliano/EPTV
Uma parceria entre instituições públicas e privadas, com um investimento inicial de R$ 8 milhões, vai permitir que pesquisadores de Jaboticabal (SP) busquem alternativas no controle biológico de pragas e doenças nas lavouras de cana-de-açúcar.
Instalado no campus da Unesp, o Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) Fitossanidade em Cana-de-Açúcar vai estudar pelo próximos cinco anos técnicas que utilizam fungos, bactérias e feromônios para proteger as lavouras sem utilizar agrotóxicos.
“Nossa prioridade é trabalhar com o controle biológico ou com ferramentas ecologicamente amigáveis evitando a todo custo a utilização de controle químico que pode muitas vezes causar impacto ambiental negativo”, afirma Odair Odair Aparecido Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp e responsável pelo novo centro de estudos.
O foco das pesquisas, segundo Fernandes, será sobre a incidência de insetos como o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis), principalmente após o fim da queimada da cana -, além de buscar mais informações sobre a síndrome do murchamento da cana.
Plantação de cana-de-açúcar e usina de etanol em Sertãozinho, SP
Fábio Junior/EPTV
Pragas como essas estão entre as maiores causas de prejuízos nos canaviais do país.
“O bicudo da cana está sendo tão prejudicial que está obrigando os produtores a renovarem seu canavial, a terem que replantar todo o canavial em dois ou três anos, quando usualmente isso não se faz antes de cinco ou seis anos”, explica.
Parceria público-privada
A iniciativa foi aprovada no final do ano passado e conta com investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp) e do Grupo São Martinho, uma das maiores indústrias do setor sucroenergético do país, além do envolvimento de pessoas ligadas a diferentes universidades e cooperativas.
O CPE em Jaboticabal está em fase de seleção de novos pesquisadores, além da aquisição de equipamentos.
A previsão é de que o projeto seja desenvolvido por cinco anos, com prazo prorrogável por mais cinco anos. Segundo Fernandes, o controle biológico e comportamental das pragas é estudado por outros 13 centros de pesquisa no estado de São Paulo e é uma estratégia procurada por diferentes países.
“Nossa prioridade é a inovação, preferindo ferramentas biológicas, ferramentas comportamentais para que em última instância consigamos reduzir o uso de inseticidas químicos nas lavouras”, diz.
Além do bicudo-da-cana e da lagarta peluda, o CPE vai se dedicar a entender o comportamento e atuar no controle da mosca-dos-estábulos. Embora não seja uma praga da cana-de-açúcar, se desenvolve na palha da matéria-prima irrigada com vinhaça e ataca o gado em pastos vizinhos.
“Isso está sendo um grande problema no oeste do estado de São Paulo, bem como no Centro-Oeste [do Brasil]”, afirma o professor.
O núcleo também deve se dedicar ao melhoramento de cultivares para tornar a cana mais resistente às pragas, além de projetos educacionais com alunos de ensino fundamental e compartilhamento dos avanços técnicos com as empresas do setor sucroenergético.
“Um braço do centro estará envolvido diretamente com aspectos educacionais dos municípios em que atuamos, com destaque para a região de Ribeirão Preto, em um primeiro momento, e também a divulgação, a transferência de tecnologia para o setor privado para os beneficiários, que são os usineiros e os produtores de cana de açúcar”, diz Fernandes.
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