Twitter coloca aviso de publicação enganosa em post de Eduardo Bolsonaro sobre 'lockdown'


Mensagem do deputado, filho do presidente Jair Bolsonaro, não pode mais ser curtida ou respondida, mas ainda pode ser visualizada. Para Twitter, post contém ‘informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19’. Deputado federal Eduardo Bolsonaro, ao discursar na inauguração do escritório da Apex em Jerusalém, em 2019
Gil Cohen-Magen/AFP
O Twitter colocou um aviso de “publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19” em um post do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na mensagem, o parlamentar, filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fala sobre “lockdown” e distanciamento social.
O texto, publicado na tarde desta segunda-feira (12), afirma que “com as pessoas ficando em casa, a proliferação do coronavírus aumenta”.
“Lockdown é o oposto de distanciamento social. No lockdown as pessoas são condenadas a ficarem confinadas em casa, aumentando a proliferação do vírus”, diz a mensagem.
Twitter vai desativar conta que desrespeitar 5 vezes as regras de desinformação sobre Covid-19
O que acontece quando um post no Twitter é marcado como enganoso
A rede social não apagou o texto, mas colocou um aviso de que a mensagem viola as regras de publicação de informações enganosas.
Segundo o Twitter, foi determinado que o conteúdo pode ser de interesse público e, por conta disso, manteve o texto acessível. Não aparecem mais curtidas, retuítes e não é mais possível responder à mensagem.
Publicação de Eduardo Bolsonaro recebeu aviso de ‘publicação enganosa’ no Twitter
Reprodução/Twitter
Eduardo já culpou China por coronavírus
Em março de 2020, Eduardo Bolsonaro publicou uma mensagem no Twitter, dizendo que a “culpa” pela crise do coronavírus é da China. A mensagem não foi apagada nem recebeu aviso pela rede social.
“Quem assistiu Chernobyl vai entender o q ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. […] +1 vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas q salvaria inúmeras vidas. […] A culpa é da China e liberdade seria a solução”, publicou Eduardo Bolsonaro.
O texto fez com que Rodrigo Maia (DEM-RJ), então presidente da Câmara, pedisse desculpas à China pela mensagem do deputado. O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, também repudiou a publicação do deputado e exigiu pedido de desculpas.
Posts do presidente apagados em 2020
Esta não foi a primeira vez que o Twitter agiu contra postagens dos Bolsonaro. Em março de 2020, tuítes do presidente foram apagados também por violação de regras relacionadas a conteúdos que envolviam a pandemia.
Na ocasião, foram tirados do ar posts que registravam um passeio de Bolsonaro em Brasília, que provocou aglomerações, e o posicionamento dele contra o isolamento social, defendido por autoridades de saúde do mundo inteiro.
Nas regras sobre remoção de conteúdo que envolva desinformação sobre a Covid-19, em texto de julho passado, a rede social apontou o que leva em conta ao considerar essa medida. Podem ser alvos posts que:
reflitam não uma opinião, mas algo apontado como fato, e, entre os exemplos, o Twitter cita postagens que abordem supostas medidas preventivas contra a doença, tratamentos ou curas;
tenham sido apontados como falsos ou enganosos por especialistas no assunto, como autoridades de saúde pública;
possam causar danos se as pessoas acreditarem nessa informação, da forma como ela foi apresentada, podendo levar a uma maior exposição ao vírus ou afetar a capacidade do sistema de saúde de lidar com a pandemia, por exemplo.
A plataforma afirma ainda que, em vez de remover um post, poderá colocar um advertência no tuíte, nos casos em que o risco de dano seja menos grave, mas, ainda assim, possam confundir as pessoas. E que isso reduz a visibilidade da postagem.

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