Trump diz que 'ficará feliz' em manter tarifas sobre produtos chineses


Presidente dos EUA diz que chineses voltaram atrás em compromissos para acordo comercial e anunciou alta de impostos de importação. Donald Trump cumprimenta presidente da China Xi Jinping em imagem de novembro de 2017
Andrew Harnik/AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (8) que ficará feliz em manter as tarifas sobre as importações chinesas, acrescentando que a China está equivocada se espera negociar o comércio mais tarde com um governo democrata, segundo a Reuters.
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“A razão para o recuo e tentativa de renegociação do acordo comercial pela China é a sincera esperança de que eles possam negociar com Joe Biden ou um dos democratas muito fracos”, publicou Trump em uma rede social.
“Adivinhe, isso não vai acontecer! A China acaba de nos informar que eles (vice-premiê) estão chegando aos EUA para fazer um acordo. Veremos, mas estou muito feliz com mais de US$ 100 bilhões por ano em tarifas enchendo os cofres dos EUA”, acrescentou.
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No final de semana, Trump anunciou que os Estados Unidos vão aumentar para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Em rede social, ele apontou que a taxa já era de 25% para US$ 50 bilhões em produtos tecnológicos. Porém, era de 10% para os US$ 200 bilhões citados.
“Os 10% vão até 25% na sexta-feira [dia 10]”, escreveu o presidente dos EUA. Ele também lamentou que as negociações comerciais entre os dois países estejam avançando “muito lentamente”.
A alta foi publicada nesta quarta feira no “National Register”, o diário oficial dos Estados Unidos, que estabelece que as novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (10).
Novos atritos
Autoridades dos EUA disseram que a China voltou atrás em compromissos substanciais feitos durante meses de negociações para encerrar a guerra comercial entre os dois países – e isso teria sido o estopim para a decisão de Trump de aumentar novamente as tarifas de importação.
Pequim enviou a Washington na sexta-feira à noite mudanças sistemáticas ao esboço de quase 150 páginas do acordo comercial que acabaria com meses de negociações entre as duas maiores econômicas do mundo, de acordo com três fontes do governo dos Estados Unidos e três fontes do setor privado com conhecimento das negociações ouvidas pela Reuters.
O documento estava cheio de mudanças em que a China voltava atrás em itens que afetaram as principais demandas dos EUA, disseram as fontes.
Em cada um dos sete capítulos do esboço do acordo comercial a China retirou seus compromissos para mudar leis que resolveriam as principais reclamações que levaram os EUA a lançarem uma guerra comercial: roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais dos EUA, transferências forçadas de tecnologia, acesso a serviços financeiros e manipulação cambial.
Com a escalada dos atritos, esta semana o governo chinês confirmou que o vice-premiê do país, Liu He, irá aos Estados Unidos para discutir o assunto com Donald Trump.
O Ministério do Comércio da China confirmou que Liu, que lidera as negociações pelo lado de Pequim, visitará os EUA na quinta e na sexta-feiras. O ministério não deu mais detalhes nem forneceu os tópicos de discussão.
A resposta de Pequim à perspectiva de novas tarifas tem sido reservada, e na terça-feira o porta-voz do Ministério da Relações Exteriores, Geng Shuang, disse à imprensa que o respeito mútuo é a base para alcançar um acordo comercial.
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Guerra comercial
Há anos, os EUA reclamam que a China gera ao país um considerável déficit comercial (que é a diferença do volume exportado entre os dois países). Trump alega que o país asiático rouba propriedade intelectual, especialmente no setor de tecnologia, além de violar segredos comerciais das empresas americanas, gerando uma concorrência desleal com o resto do mundo.
Por isso, o combate aos produtos “made in China” é uma bandeira de campanha de Trump que recebeu o apoio de vários países.
A meta do governo Trump era reduzir em pelo menos US$ 100 bilhões o rombo com a China. Só que há controvérsia até no cálculo do tamanho buraco: nas contas de Trump, é de US$ 500 bilhões; nas da China, é de US$ 275,8 bilhões; dados oficiais dos EUA, apontam ser de US$ 375 bilhões ao ano.

https://g1.globo.com/economia

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