Roberto Campos Neto, indicado para chefiar o BC, diz que bancos brasileiros são competitivos


Ele afirmou que a maior parte do spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam e cobram pelos recursos) não está ligado ao lucro. Declarou ainda que a rentabilidade dos bancos brasileiros já foi maior no passado. O economista Roberto Campos Neto, indicado para a Presidência do Banco Central pelo presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (26) que o sistema bancário brasileiro não é mais “concentrado” do que em outras economias desenvolvidas, e acrescentou que os bancos do país também são competitivos.
Ele participa de sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Para poder assumir o comando do Banco Central, seu nome tem de ser aprovado pela comissão e, posteriormente, pelo plenário do Senado.
“A gente precisa distinguir entre concentração e competição. Na crise [do subprime, iniciada em 2008], países aceitaram mais concentração por mais segurança. Com o Lehman Brothers [que anunciou concordata], governo [dos EUA] estimulou concentração. Aconteceu em vários países. No Brasil, [a concentração de mercado] é muito proporcional à registrada em outros países, como Alemanha, Itália e Inglaterra. É equivalente”, declarou.
Apesar de a taxa básica de juros, a Selic, estar no menor patamar da história, e, 6,5% ao ano, as instituições financeiras ainda cobram taxas elevadas. Em algumas linhas de crédito, os juros são próximos de 300% ao ano. A redução dos juros bancários é considerada um dos desafios da nova equipe econômica.
Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2017, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país. No ano passado, o lucro dos maiores bancos do país cresceu. É o caso do Bradesco, do Itaú, do Santander, e do Banco do Brasil.
Campos Neto também avaliou que as instituições financeiras, no país, são competitivas. “Vários estudos mostram que a competição no Brasil não é muito diferente do mundo emergente. O Brasil, apesar de ser concentrado [o sistema financeiro], dá pra dizer que existe competição. No entanto, essa competição não gerou um spread [juros bancários] adequado”, declarou.
Rentabilidade dos bancos
O economista disse, também, que só olhar o tamanho do lucro dos bancos “não é uma boa métrica”. Ele acrescentou que é preciso avaliar a rentabilidade das instituições financeiras.
“Tem que ver qual é o lucro sobre o capital empregado. Retorno dos bancos já foi bem maior, 19%, 20%, já caiu para 12%. Bancos rendiam mesma coisa que títulos do governo. Agora voltou para alguma coisa como 15%. Apesar de o lucro ser crescente, rentabilidade baixou muito, voltou a crescer, mas está abaixo do máximo”, afirmou Campos Neto.
Estudo da Consultoria Economática (abaixo) mostra que a mediana da rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) dos bancos brasileiros supera a das instituições norte-americanas desde 2005, com exceção de 2014 – considerando bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões. O levantamento foi feito até o ano de 2016.
Comparação da rentabilidade de bancos brasileiros com dos EUA
Reprodução estudo Consultoria Economática
Peso do lucro no ‘spread bancário’
De acordo com análise do economista Roberto Campos Neto, o peso do lucro bancário no chamado “spread” (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e os juros cobrados dos seus clientes) em outros países é “razoavelmente maior do que no Brasil”.
Segundo ele, o “spread” brasileiro está em torno de 20 pontos. “Ao decompor o spread, 35% está ligado à inadimplência, 25% ao custo financeiro, 25% aos impostos e 15% ao lucro. A maior parte do ‘spread’ não é lucro no Brasil”, declarou.
Para diminuir a inadimplência, ele destacou ações como o Cadastro Positivo, que foi recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados mas ainda passar pelo crivo do Senado Federal, e facilitar a sua recuperação em caso de inadimplência.
“A recuperação de crédito é lenta e custosa. De cada R$ 1 real, se recupera R$ 0,13 no Brasil e leva quatro anos. Em outros emergentes, estamos falando de 60% de recuperação de crédito em um ano e meio, ou dois. Temos muitos projetos para melhorar isso, como duplicatas, setorização de recebíveis. Garantia, colateral, tudo o que pode ser usado em contrapartida”, declarou.
Ele avaliou, também, que o custo operacional, entre os quais os trabalhistas, por exemplo, além de manutenção de agências, é um dos mais caros do mundo no Brasil.

https://g1.globo.com/economia

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