Quem perde e quem ganha na guerra comercial entre EUA e China


Empresas dos mais variados ramos se dizem impactadas pelo conflito. Guerra comercial: Trum ameaçou elevar tarifas sobre R$ 200 bilhões em produtos chineses de 10% para 25%
DAMIR SAGOLJ/REUTERS
Empresas dos mais variados ramos nos Estados Unidos – de chips de computadores a tratores – se dizem impactadas pelas guerras tarifárias do presidente norte-americano, Donald Trump, incluindo disputas com a China e tarifas globais sobre o aço.
Até mesmo para alguns dos setores que poderiam ser favorecidos pelo conflito, como o siderúrgico, os benefícios não estão inteiramente claros.
Trump disse em 5 de maio que ele elevaria tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses a de 10% para 25%, intensificando a pressão para que o governo chinês concorde com um acordo.
Veja quem ganhou e quem perdeu com a guerrra comercial até agora:
Perdedores
Tecnologia
Apple: A Apple cortou sua previsão de vendas para o primeiro trimestre, culpando as lentas vendas de iPhone na China, onde a incerteza em torno das relações comerciais com os Estados Unidos abalaram a economia.
Depois que a Apple reduziu preços no fim do mês passado, as vendas ganharam ritmo e a empresa citou um tom melhor na guerra comercial para uma perspectiva mais forte.
Intel Corp: A fabricante de chips cortou no mês passado sua projeção de receita para 2019, citando uma desaceleração na demanda da China.
Veículos
Fiat Chrysler: A montadora projetou que preços mais elevados de commodities, puxados por tarifas, custarão 750 milhões de euros ao ano.
General Motors: A empresa previu US$ 1 bilhão em custos adicionais neste ano em função de tarifas e matéria-prima. Os preços de aço e alumínio diminuíram, mas os preços de outras commodities, como paládio, subiram, disse a companhia.
Ford Motor: A montadora disse que em 2018 incorreu em “reveses” de cerca de US$ 750 milhões em efeitos relacionados a tarifas. Volume menor de vendas e custos elevados de commodities, incluindo efeitos ligados a tarifas, adicionaram US$ 500 milhões aos custos do primeiro trimestre, na comparação com o ano anterior.
Harley-Davidson: A fabricante de motocicletas disse que custos relacionados a tarifas na União Europeia e China foram de US$ 23,7 milhões em 2018 e devem ficar entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões em 2019.
Equipamentos pesados
Caterpillar: A Caterpillar disse que as tarifas custarão à companhia entre US$ 250 milhões e US$ 350 milhões em 2019 caso não haja nenhum alívio.
Deere: A fabricante disse em fevereiro que espera que tarifas dos EUA sobre importações chinesas custem à companhia US$ 100 milhões em 2019.
Agricultura
Archer Daniels Midland: O lucro operacional ajustado da trading de commodities caiu 30% no quarto trimestre a US$ 183 milhões, uma vez que a guerra comercial com a China abalou seus negócios de sorgo e soja.
Bunge: A companhia reportou uma perda de US$ 125 milhões com marcação a mercado em agosto em posições em soja apostando que a guerra comercial com a China seria evitada.
Os lucros da Bunge então despencaram no quarto trimestre, uma vez que uma trégua temporária com a China levou os preços da soja a caírem e cortou o valor de seu estoque de soja brasileira em US$ 125 milhões.
Cargill: A trading de commodities disse em março que as tensões comerciais entre EUA e China e outras interrupções na cadeia de produção continuavam a pesar sobre resultados em negociação e processamento de produtos agrícolas, a unidade principal de trading de grãos da companhia.
Vencedores
Aço
Nucor: A maior fabricante de aço dos Estados Unidos registrou lucros recordes e embarcou um volume recorde de aço em 2018, beneficiando-se das tarifas.
Mas no mês passado, a companhia projetou lucro para o primeiro trimestre abaixo das estimativas de Wall Street, citando menores preços médios de vendas de folhas de aço e um atraso nos embarques a clientes no setor de construção.
As tarifas impostas pelo governo Trump sobre importações de aço, principalmente da China, aumentaram a produção doméstica, levando a uma queda nos preços de aço.
Agricultura
JBS: A empresa brasileira, que é a maior processadora de carnes do mundo, conseguiu elevar as exportações de carne para a China à medida que as tensões entre EUA e China se intensificaram. A fatia de exportações da companhia ao país asiático subiu para mais de 24% no ano passado, ante menos de 21% em 2016 e 2017. Outro motivo para o aumento das exportações do frigorífico para a China é o surto de peste suína, que dizimou criações no país.
Louis Dreyfus Company: A operadora global de commodities agrícolas disse que as oportunidades de negócio criadas pela disputa comercial EUA-China impulsionaram seu negócio de soja no ano passado.
A companhia registrou volumes recordes de exportação de soja a partir do Brasil, elevando o lucro em 12%, ante o ano anterior.

https://g1.globo.com/economia

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