Prévia da inflação oficial fica em 0,30% em janeiro, a menor para o mês desde 1995, aponta IBGE


Alimentação em domicílio teve o maior impacto na taxa do mês, puxada principalmente pela alta nos preços das frutas e carnes. Transportes e vestuário tiveram deflação na passagem de dezembro para janeiro. Preços de frutas tiveram a maior alta na passagem de dezembro para janeiro, chegando a 6,52% depois de ter avançado 1,12% no mês anterior.
Divulgação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, ficou em 0,30% em janeiro, conforme divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o instituto, esta foi a taxa mais baixa para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real, em 1994. Já o acumulado nos últimos doze meses ficou em 3,77%, abaixo dos 3,86% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores e 0,02 pontos percentuais acima da inflação de 2018, que fechou o ano em 3,75%.
Contribuíram para conter a inflação os preços de produtos e serviços dos grupos de transporte e vestuário, que tiveram deflação na passagem de dezembro para janeiro – respectivamente de 0,47% e 0,16%. Ambas contiveram a alta de 0,87% nos preços de alimentos e bebidas, grupo que registrou o maior avanço e foi responsável pelo maior impacto no indicador mensal.
Veja as variações dos grupos pesquisados:
Índice geral: 0,30%
Alimentação e bebidas: 0,87%
Habitação: 0,08%
Artigos de residência: 0,58%
Vestuário: -0,16%
Transportes: -0,47%
Saúde e cuidados pessoais: 0,68%
Despesas pessoais: 0,43%
Educação: 0,31%
Comunicação: 0,06%
Segundo o IBGE, a alta do grupo alimentação e bebidas foi puxada pela alimentação no domicílio, que passou de 0,22% em dezembro para 1,07% em janeiro. O que mais pesou foram os preços das frutas e das carnes, que tiveram variação, respectivamente, de 6,52% e 1,72% na comparação com o mês anterior.
Em contrapartida, a alimentação fora do domicílio apresentou leve desaceleração, caindo de 0,58% em dezembro para 0,53% em janeiro. Os preços médios da refeição tiveram variação de 0,39%, contra 0,67% em dezembro.
Deflação nos trasportes
O grupo dos transportes teve a maior queda entre os nove grupos pesquisados. Ela foi puxada pela segunda variação negativa seguida nos preços da gasolina (-2,73%), que teve o maior impacto individual, de -0,12 p.p, no indicador de janeiro.
O IBGE destacou que, com exceção da região metropolitana de Salvador, que registrou alta de 2,38% na gasolina, todas as demais áreas pesquisadas registraram variação negativa, sendo a mais intensa em Fortaleza, de -5,99%, e a menos intensa em Goiânia, de -1,38%.
Também contribuíram para a deflação no grupo dos transportes as quedas de 1,17% no preço médio do etanol e de 3,43% do óleo diesel.
Outro impacto relevante foi a queda de 3,94% no preço médio das passagens aéreas – em dezembro, elas haviam registrado alta de 29,61%.
Meta de inflação e taxa de juros
A previsão dos analistas para a inflação em 2019 caiu de 4,02% para 4,01%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.
O percentual esperado pelo mercado continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,25% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 2,75% e 5,75%.
A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).
O mercado manteve em 7% ao ano a previsão para a taxa de juros, a Selic, no fim de 2019. Atualmente, o juro básico da economia está em 6,50% ao ano, na mínima histórica. Para o fim de 2020, a previsão continuou em 8% ao ano. Com isso, os analistas seguem prevendo alta dos juros no decorrer deste ano e, também, de 2020.
Metodologia
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 13 de dezembro de 2018 a 15 de janeiro de 2019 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de novembro a 12 de dezembro de 2018 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

https://g1.globo.com/economia

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