Paulo Guedes diz que previsão de crescimento do PIB em 2019 caiu para 1,5%


Pelo orçamento enviado em 2018 pelo governo, e aprovado pelo Congresso, crescimento estimado era de 2,5%. Segundo ministro, economia brasileira está ‘no fundo do poço’. O ministro da Economia, Paulo Guedes, ao participar de uma audiência no Congresso nesta terça-feira (14)
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (14) que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu para 1,5%. Para Paulo Guedes, a economia brasileira está “no fundo do poço”.
Paulo Guedes deu as declarações ao participar de uma audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional (CMO).
No ano passado, o governo Michel Temer enviou, e o Congresso Nacional aprovou, o Orçamento de 2019, com previsão de o PIB crescer 2,5%.
“O crescimento, que era 2% quando fizeram as primeiras simulações, já caiu para 1,5%. Já começa o contingenciamento de verba”, declarou Paulo Guedes.
Na semana passada, o Banco Central divulgou um relatório segundo o qual o mercado financeiro estima que o PIB crescerá 1,45% neste ano.
Ele indicou também, com isso, que um novo bloqueio de gastos deve ser anunciado ainda neste mês para cumprir a meta de um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida) de até R$ 139 bilhões para este ano.
“E quando cai para 1,5% [a previsão de alta do PIB], as receitas são menores ainda e aí já começam os planejamentos de contingenciamento de verba pra frente. Já começam as trajetórias futuras de despesas a serem apertadas, já começa todo mundo a falar ‘olha, vai ter que contingenciar’. Não são cortes, são contingenciamento. São preparatórias ainda”, declarou ele.
Na semana passada, o Ministério da Economia já havia informado que um novo contingenciamento de gastos seria anunciado.
‘Fundo do poço’
Paulo Guedes ainda afirmou, no Congresso Nacional, que a economia do país está no “fundo do poço”. De acordo com ele, está nas mãos do Congresso tirar o Brasil dessa situação, com a aprovação de reformas propostas pelo governo.
“Independente do mercado querer que as coisas aconteçam rapidamente, a nossa realidade é que nós estamos no fundo do poço. Então, não adianta achar que nós vamos crescer por fora, que vamos crescer 3%. Não é a nossa realidade. A nossa realidade é o seguinte: estamos lá no fundo. Agora está nas mãos da Casa [Congresso Nacional] nos tirar do fundo do poço, com esse equacionamento fiscal”, disse o ministro.
Mais cedo, o Banco Central avaliou, por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que o PIB pode registrar retração no primeiro trimestre deste ano. Guedes afirmou que, assim que as reformas forem aprovadas, a resposta da economia será rápida.
“As pessoas dizem: ‘A economia não está respondendo rapidamente’. Eu pergunto: ‘Respondendo a quê?’ Se é para responder, é para responder a alguma coisa. O que que nós fizemos para ela crescer? Nós não aprovamos nada. Não fizemos nada, como ela vai sair crescendo? Só na base da saliva, da expectativa, do sonho? Não”, argumentou o ministro.
De acordo com Guedes, a estratégia de crescer na base de declarações de autoridades da área econômica já foi tentada em governos do passado. Na visão do ministro, “funciona durante um certo tempo, e ali na frente colapsa tudo”.
“Nós não vamos fazer isso. Nós não vamos vender falsas esperanças. Ao contrário. Dizemos: ‘A situação é séria, mas as reformas têm o poder de produzir a resposta”, completou.

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