Para sobreviver, bar tenta se adaptar ao delivery e à 'barricada'


Somente os sócios do bar Kaia estão trabalhando, enquanto funcionários CLTs estão em casa, mas com salário menor. Bar também atende na porta, no sistema de “pegue e pague”. No centro da cidade de São Paulo desde 2017, o bar Kaia sempre foi conhecido por abrir suas portas durante à noite movimentada do bairro da Santa Cecília.
Mas com a chegada da pandemia do coronavírus, os sócios logo tiveram que trocar a noite pelo dia e atender os já fiéis clientes do bairro na porta do bar, com um cardápio reduzido, em um sistema improvisado de “pegue e pague” que eles deram o nome de “barricadas”.
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Para sobreviver, bar tenta se adaptar ao delivery e à ‘barricada’
Tudo isso começou no dia 18 de março. Younes Bari, um dos três sócios, conta que, a partir daquele dia, somente os donos continuaram trabalhando, enquanto os sete funcionários CLTs foram mandados para a casa, já que muitos moram longe ou estão nos grupos de risco. Todos os empregos foram mantidos, mas com redução salarial.
A primeira tentativa do sistema de “barricadas”, porém, durou somente 4 dias. O faturamento do Kaia caiu quase 80% nesse período comparado a uma semana de normal de operação. A casa aberta ao público rendia uma movimentação muito maior de pessoas no bar, que é conhecido não somente pelos lanches e petiscos artesanais, com também pelas noites de discotecagem de vinil, que enchiam o Kaia até à calçada.
“Barricada” na frente do bar Kaia – 19/03/2020
Paula Salati/G1
Com queda na receita, os sócios decidiram parar tudo para reestruturar o negócio. O bar ficou fechado durante quase todo o período do primeiro decreto de quarentena do Estado de São Paulo, que durou do dia 24 de março até 07 de abril.
Younes e seus parceiros, que sempre foram avessos ao sistema de delivery, reabriram o Kaia na última terça-feira (7), com um sistema de entrega por meio de bicicletas – feita pelos próprios sócios – e pelo aplicativo IFood.
“É a primeira vez que a gente se associa a um aplicativo desses, porque é o que a gente precisa agora: o mínimo de faturamento possível pra poder manter as obrigações financeiras em dia”, diz.
Somente sócios continuaram trabalhando
Paula Salati/G1
O sistema de “pegue e pague”, as chamadas “barricadas” do Kaia, também voltou, mas os funcionários com carteira assinada continuam em casa.
Younes conta que a empresa aderiu à medida provisória do governo federal que permite redução proporcional de salário e jornada. Após acerto com o sindicato do setor, a empresa reduziu em 30% o salário dos seus funcionários, que será compensado por meio de uma complementação do governo federal.
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