Organizações denunciam falta de transparência em discussão sobre importação de trigo transgênico


Comissão do Ministério da Ciência pode definir nesta quinta se libera cereal produzido na Argentina, que é resistente à seca e ao agrotóxico glufosinato de amônio. A Argentina é responsável pelo fornecimento de cerca de 60% do cereal que abastece o mercado brasileiro.
Embrapa Trigo/Divulgação
Organizações ambientais, de agricultores e de defesa do consumidor enviaram um ofício a órgãos públicos na última terça-feira (8) denunciando a falta de transparência do governo sobre a discussão de liberação a importação de trigo transgênico da Argentina.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), vinculada ao Ministério da Ciência, pode definir nesta quinta-feira (10) se passará a importar o cereal geneticamente modificado HB4, desenvolvido pela empresa argentina Bioceres e que é resistente à seca e ao agrotóxico glufosinato de amônio.
O glufosinato é um herbicida considerado como “medianamente tóxico” pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na lavoura de trigo, pode servir como dessecante para antecipar a colheita.
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Se aprovada, a operação será feita por meio de uma parceria com a empresa brasileira Tropical Melhoramento Genético (TMG). O G1 entrou em contato com o Ministério da Ciência para mais informações, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
O ofício foi encaminhado para a CNTBio, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho por organizações como a Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida, Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), entre outros.
Segundo as entidades, o governo não informou se a importação de trigo transgênico será para uso comercial do produto em grão ou farinha ou para plantio no Brasil.
As associações afirmam ainda que não existem estudos que comprovem que o trigo geneticamente modificado não traz malefícios à saúde humana e ao meio ambiente. E que há ausência de pesquisas sobre os efeitos adversos dos resíduos do glufosinato de amônio.
Além disso, denunciam a falta de participação da sociedade nesse processo. “A participação na audiência pública foi limitada ao envio de perguntas por escrito, sendo a escolha das questões feita pela própria CNTBio”, afirma a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
A Argentina é responsável pelo fornecimento de cerca de 60% do cereal que abastece o mercado brasileiro, sendo complementado pelo produto nacional (30%) e de outras origens (10%).
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