Odebrecht fecha acordo de leniência com Ministério Público do Peru


Empresa pagará US$ 182 milhões como reparação civil ao Peru. Logo da Odebrecht
Paulo Whitaker/Reuters
O Ministério Público do Peru e a construtora brasileira Odebrecht selaram um acordo de cooperação em casos de supostos subornos que podem levar à justiça até quatro ex-presidentes peruanos, informou a empresa no domingo (9).
“O acordo, celebrado com o Ministério Público e a Procuradoria Pública, é o marco mais importante de um amplo e profundo processo de colaboração com as autoridades do Peru”, destacou a Odebrecht em um comunicado.
“A empresa reconheceu responsabilidades, pediu desculpas à sociedade e se dispôs a reparar o Estado pelos danos civis sofridos”, acrescentou a empresa.
De acordo com o portal IDL Repórteres, a empresa pagará US$ 182 milhões (o equivalente a R$ 709 milhões) como reparação civil ao Peru, mas em seu comunicado a Odebrecht não mencionou valores. Procurada pelo G1, a companhia confirmou o valor.
“Pela primeira vez desde o início do caso, as autoridades do Estado – procuradores e advogados – chegaram a um acordo abrangente de colaboração efetiva que, se não for sabotado por comparsas entranhados no sistema fiscal e judicial, permitirá que o caso Lava Jato seja resolvido no Peru “, disse o portal de jornalismo investigativo IDL Reporteros, que publicou um resumo do documento.
Por meio do acordo, o Ministério Público do Peru compromete-se a “não usar as informações confessadas para iniciar ações contra a Odebrecht ou seus funcionários”.
Entenda o caso
A indenização foi baseada em quatro licitações que a Odebrecht venceu no Peru, pagando propinas a autoridades peruanas.
Os projetos envolvidos nos escândalos são uma linha de metrô em Lima; trechos 2 e 3 da Rodovia Interoceânica Sul, que liga o Peru ao Brasil; a rodovia urbana entre Lima e Callao; e uma rodovia em Cusco.
A Odebrecht pagará o valor em 15 parcelas anuais, conforme acordado com autoridades dos Estados Unidos e do Brasil.
O caso da Odebrecht no Peru já atingiu desde então os presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).
De todos eles estão sob investigação do Ministério Público e o único formalmente acusado é Toledo, suspeito de ter recebido US$ 20 milhões em propinas da Odebrecht.
O Peru pediu aos Estados Unidos a extradição de Toledo, que reside na Califórnia.
Os casos de García, Humala e Kuczynski estão na fase de investigação da procuradoria.
Presume-se que o acordo firmado com a Odebrecht permitirá determinar se eles estão envolvidos em operações ilícitas.
A Odebrecht admitiu em 2016 nos Estados Unidos, que pagou subornos no Peru por US$ 29 milhões entre 2005 e 2014.
Além do Peru, a empresa também firmou acordo de leniência com autoridades de 6 países: Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Panamá, Equador e Guatemala, e está em negociações nos demais mercados em que atua.
A Odebrecht Engenharia e Construção atualmente emprega 19 mil trabalhadores, de 27 diferentes nacionalidades, em 18 obras espalhadas no Brasil e no mundo.

https://g1.globo.com/economia

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