O combustível da inflação


A inflação mudou de patamar a partir de junho, sob o impacto da greve de 11 dias dos caminhoneiros em maio. Em doze meses, como mostram os dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação chegou a 4,53%, ligeiramente acima da meta, que é de 4,5% ao ano. Até maio, a inflação acumulada em doze meses vinha rodando abaixo de 3%.
O que era um cenário muito tranquilo, deixou de ser. Daqui para frente, tudo vai depender das diretrizes econômicas do governo a ser eleito este mês e que toma posse em primeiro de janeiro.
O resgate da confiança no ajuste da economia retiraria a pressão sobre o real, aliviando, por decorrência, a pressão sobre a inflação. Caso contrário, as pressões vão se acentuar.
Mas não há simetria entre as duas hipóteses: a melhora tende a ser lenta, enquanto a piora pode ocorrer rápida e intensamente.
A inflação ainda está concentrada em poucos itens, mas que, persistindo a tendência, contaminará os demais. Basicamente, a inflação de combustíveis e energia elétrica, que afeta os custos de transportes e despesas de residência.
Em doze meses, temos os seguintes números:
gasolina: alta de 19,99%
diesel: alta de 12,39%
etanol: alta de 8,69%
gás: alta de 10,97%
energia elétrica residencial: alta de 20,37%
O aumento no preço dos combustíveis se deve a três fatores: o fim da política de preços artificiais, que vigorou até 2014 e que ajudou a quebrar a Petrobras; o aumento do preço do petróleo no mercado mundial; e a alta do dólar.
No caso da energia elétrica, o aumento da tarifa embute também os custos ainda presentes na desastrada redução tarifária praticada até 2015 pelo governo Dilma, agravada por aumento nos custos de geração de novos empreendimentos.
Para completar, a insuficiência de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, que leva a ampliação da geração términa a óleo diesel, a um custo muito mais elevado que é repassado ao consumidor.
Em tempo: competindo em alta com o preço dos combustíveis e da tarifa de energia elétrica, estão os planos de saúde, com alta de 12,10% em doze meses.

Editoria de Arte / G1

https://g1.globo.com/economia

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.