O BNDES só tem a ganhar com mais transparência

Na última sexta-feira (18), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou a lista dos seus 50 maiores clientes e todas as operações com eles realizadas nos últimos 15 anos. É importante a transparência das instituições como o BNDES, que não tem como objetivo obter lucro, como os bancos privados.
A lista inclui cada operação individualizada, explicando sua natureza, volume e condições, como taxas de juros e prazo. Também esclarece se os recursos direcionados para os maiores clientes foram através de empréstimos ou de investimento em renda variável, por compra de ações, ou outra forma de o banco entrar como sócio das empresas.
Não é de hoje que se questiona a política do BNDES tanto no antigo e principalmente no novo governo devido a alguns empréstimos como os feitos para obras em Cuba, Venezuela e Moçambique. O Brasil de fato é um país pobre e em desenvolvimento. Emprestar a outros governos, ainda por cima antes da política de adoção de juros de mercado, é questionável do ponto de vista do crescimento econômico brasileiro.
Isso não quer dizer que os empréstimos concedidos são necessariamente prejudiciais ao banco e às contas públicas, nunca é demais lembrar que os brasileiros é que estão financiando as operações. Faz parte da democracia discutir se os critérios para os empréstimos são os mais corretos, mesmo sem anomalias.
É necessário criar e aprimorar métricas para investigar cada caso, verificando, por exemplo, se o empréstimo gerou benefícios para o país e teve um impacto na economia. Também deve ser motivo de debate constante se, com o estágio de desenvolvimento do Brasil, com os bancos privados fortes que temos, o financiamento estatal ainda é tão necessário como em outras épocas.
O BNDES teve um papel importante , por exemplo, com o apoio às privatizações e também ao desenvolvimento regional. O lado ruim veio na política de empresas “campeãs” na década passada.
A clareza de informações deve pautar debate das políticas públicas s. Com mais transparência, o próprio BNDES, as empresas e governos e a população só têm a ganhar, já que suas operações passam a ocorrer com menos suspeitas ideológicas e com mais e maneiras de se medir o o impacto de forma objetiva.

https://g1.globo.com/economia

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