Lucro do BNDES recua no terceiro trimestre, para R$ 1,6 bilhão


Nos nove primeiros meses do ano, banco lucrou R$ 6,36 bilhões, um aumento de 98,7% frente ao mesmo período do ano passado. Sede do BNDES no centro do Rio de Janeiro
REUTERS/Sergio Moraes
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) obteve lucro líquido de R$ 1,03 bilhão, 15,8% abaixo do mesmo trimestre do ano passado, quando foi de R$ 1,9857 bilhão. As demonstrações financeiras do banco de fomento foram divulgadas na tarde desta quarta-feira (14).
Sobre o lucro menor, o diretor do banco de fomento, Ricardo Ramos, disse que essa diferença é irrelevante estatisticamente. “São R$ 200 milhões a menos, claro, mas estatisticamente é irrelevante”, afirmou.
Nos nove primeiros meses do ano, o banco obteve lucro líquido de R$ 6,36 bilhões, o que equivale a um aumento de 98,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o diretor do banco, o resultado supera o lucro líquido anual obtido nos últimos três anos, sempre na casa de R$ 6 bilhões. “Fizemos um ano em apenas nove meses”, comemorou.
Segundo o superintendente da área de integridade, conformidade e gestão do banco, Carlos Frederico Rangel, o lucro foi influenciado pelo melhor resultado com participações societárias, que foi de R$ 2,87 bilhões, um aumento de 99,4% em relação ao mesmo período de 2017.
Esse aumento, segundo o banco, “refletiu o crescimento de R$ 1,98 bilhão do resultado de alienações de investimentos, com destaque para a venda de ações da Petrobras, Eletropaulo e Vale”. Até dezembro do ano passado, o BNDES tinha 16,54% de participação na Petrobras. Esse percentual caiu para 15,24% no fechamento de setembro.
Levy na presidência
Ramos sugeriu que o nome do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como presidente do BNDES na gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, foi recebido com otimismo pela atual pela atual diretoria.
“O que conseguimos depreender do pensamento no novo presidente [do BNDES] é que ele está aderente ao que o banco vem fazendo. Ele vem de uma instituição similar e vai encontrar o BNDES preparado para a missão que o traz”, disse o diretor do banco.
Ramos acrescentou, sem detalhar, que “2019 será um ano muito bom e o banco vai executar “tudo que planejamos”. Questionado se já há uma equipe de transição formada, Ramos disse não saber.
Consultas têm primeira alta em seis anos
O diretor do BNDES Ricardo Ramos destacou que as consultas nos primeiros noves meses aumentaram pela primeira vez desde 2012. “Isso já reflete um pouco a retomada da economia, ainda que lenta e gradual”.
Desembolsos
Questionado sobre os desembolsos do banco, Ramos disse que o volume “vem num ritmo melhor do que as operações”. Ele disse haver expectativa de que este volume aumente até o final do ano, embora destaque que não é o resultado mais importante.
“O que estamos perseguindo e que a gente acha que consegue que no ano seja ligeiramente superior ao ano passado. Mas, de fato, o impacto de desembolsos no último trimestre é residual. O que é relevante para o banco é a carteira de crédito em si”, disse Ramos .
Redução de ativos
O ativo do BNDES teve queda de 5,2% no trimestre, o que corresponde a R$ 42,98 bilhões, fechando setembro com um total de R$ 791,48 bilhões. A redução, segundo o banco, se deu em função da antecipação do pagamento de R$ 70 bilhões em dívidas ao Tesouro Nacional.
Inadimplência
A inadimplência acima de 90 dias apresentou aumento no trimestre, passando de 1,45% em junho para 2,94% em setembro. Desconsiderando o Rio de Janeiro, porém, cujas operações estão sendo honradas pela União devido ao regime de recuperação fiscal, o índice de inadimplência teria sido de 1,67%.

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