Investidor espera compromisso com ajuste fiscal em meio à crise, diz secretário do Tesouro

Mansueto Almeida afirma que Brasil ‘tem como passar por isso’, e que medidas de curto prazo são estudadas. Desoneração para ajudar empresas está descartada, segundo ele. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta quinta-feira (12) que o Brasil tem condições de passar pela crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, para isso, os investidores esperam que o governo mantenha o compromisso com o ajuste fiscal ao lidar com o vírus.
“As projeções que a gente recebe do pessoal da saúde é que o coronavírus é um efeito de três, quatro meses, não é um efeito de um ano. Vai ser difícil, mas o Brasil tem como passar por isso. Novamente, o que os investidores querem de sinalização é o seguinte: mesmo com esse problema de curto prazo, vocês manterão o compromisso com o ajuste fiscal”, afirmou, após reunião com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Segundo Mansueto, o Tesouro e o BC têm atuado conjuntamente no mercado. Nesta quinta, o Tesouro anunciou que fará uma série de leilões extraordinários de recompra de títulos públicos até a próxima quarta (18).
Segundo Mansueto, a medida foi tomada porque o mercado amanheceu “um pouco disfuncional”.
“É um dia que o mercado está muito instável e está em busca de preço. A gente tinha que ajudar o mercado a encontrar esse preço e o mercado, de fato, voltar a funcionar”.
Mansueto destacou que, apesar de ter anunciado leilões por cinco dias, eles podem ser cancelados se houver uma estabilização no mercado. “Não significa que necessariamente vão ocorrer [os leilões]. Pode ser que o mercado acalme e eles não serão mais necessários”, disse.
Blog do Valdo Cruz: Governo analisa medidas emergenciais na economia para combater efeitos do coronavírus
Turbulência na bolsa
A bolsa de valores brasileira, a B3, enfrenta nesta quinta mais um dia de forte turbulência. As negociações foram interrompidas duas vezes na mesma sessão no chamado “circuit breaker” – gatilhos sucessivos para quando a queda supera 10%, 15% e 30%. Essa paralisação dupla não acontecia desde a crise de 2008.
A queda na bolsa acompanha tendência dos mercados financeiros globais em razão dos últimos desdobramentos ligados à pandemia do novo coronavírus.
O dólar, por sua vez, chegou a passar de R$ 5 nesta quinta. A disparada perdeu força após uma atuação mais forte do Banco Central com leilões de dólares em moeda à vista.
Ministro Paulo Guedes fala sobre dólar a R$ 5
Para acelerar a economia
Questionado sobre medidas para ajudar a acelerar a economia, Mansueto afirmou que o governo estuda mecanismos de estímulo, mesmo com as contas públicas apertadas. “No momento adequado, o ministro [Paulo Guedes] fala”, afirmou.
O secretário do Tesouro disse, no entanto, não acreditar que haja espaço para alguma desoneração fiscal – ou seja, para reduzir a incidência de impostos de modo a beneficiar empresas.
“A gente não tem espaço para fazer desoneração nesse momento não. Teria que ter espaço fiscal para fazer isso, mas é bem difícil”, afirmou.
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