Herdeiro da Samsung não recorrerá de condenação por suborno


Jay Y. Lee foi considerado culpado em caso de corrupção envolvendo ex-presidente da Coreia do Sul e recebeu pena de 30 meses de prisão. Jay Y. Lee, vice-presidente do conselho de administração da Samsung, chegando a tribunal em Seul 18 de janeiro de 2021.
Reuters/Kim Hong-Ji
O herdeiro e vice-presidente do conselho de administração da Samsung, Lee Jae-yong, não irá apelar da sentença de prisão de dois anos e meio por suborno imposta pela Justiça sul-coreana, segundo o seu advogado.
O executivo foi condenado por corrupção e desvio de fundos no escândalo que causou o impeachment e prisão em 2017 da ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye.
Lee assumiu a liderança da Samsung desde que seu pai, Lee Kun-hee renunciou por problemas de saúde. O patriarca faleceu em outubro.
Julgamento
Depois de um longo processo judicial, o Tribunal Superior de Seul considerou Lee culpado de suborno, apropriação indevida e dissimulação de receitas no valor de cerca de 8,6 bilhões de won (cerca de R$ 41,4 milhões). A sentença foi dada na segunda passada (18).
O entendimento da justiça sul-coreana é que Lee Jae-yong pagou propina à amiga da ex-presidente em troca de privilégios concedidos pelo governo à empresa (saiba mais abaixo).
“O vice-presidente Lee aceita humildemente a decisão e decidiu não recorrer”, anunciou seu advogado, Lee In-jae, em um comunicado nesta segunda-feira (25).
A decisão de não apelar da condenação pode significar que a gigante da tecnologia quer virar a página do escândalo.
A promotoria, que havia pedido nove anos de prisão contra Lee, anunciou nesta segunda (25) que também não irá recorrer, segundo a agência de notícias AFP.
Histórico do processo
O processo de Lee começou em 2017, quando ele foi julgado por subornar uma autoridade ligada à ex-presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.
O herdeiro da Samsung cumpriu um ano de prisão e saiu após um tribunal de apelações suspender o processo em 2018.
Em 2019, a Suprema Corte do país ordenou que o executivo de 52 anos fosse julgado novamente, o que resultou na condenação de 30 meses de prisão.
Com parte da pena já cumprida, Lee pode solicitar liberdade condicional a partir de setembro.
Se a Samsung recorresse, teria arriscado uma sentença mais alta para Lee e qualquer pedido de liberdade condicional estaria sujeito à decisão final da Suprema Corte, conforme explicou Kim Dae-jong, professor de economia da Universidade Sejong, à AFP.
Escândalo com ex-presidente
A Samsung é, de longe, o maior dos “chaebols”, os impérios industriais familiares que dominam a a Coreia do Sul. Seu faturamento global representa um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é crucial para a saúde econômica do país.
O caso envolvia milhões de dólares que o grupo pagou a Choi Soon-sil, uma confidente da então presidente.
Os subornos foram supostamente destinados a facilitar a transição de poder para o chefe do conglomerado, quando o patriarca Lee Kun-hee estava acamado após um ataque cardíaco em 2014.
Há duas semanas, o Supremo Tribunal confirmou definitivamente a pena de 20 anos de prisão para a ex-presidente Park Geun-hye.
O escândalo voltou a destacar os vínculos preocupantes entre o governo sul-coreano e as grandes famílias que controlam os “chaebols”, conglomerados por trás da recuperação do país após a Guerra da Coreia.
SAIBA MAIS: Entenda o escândalo que derrubou a ex-presidente da Coreia do Sul em 2016
Em maio de 2020, o herdeiro se desculpou publicamente na mídia, em particular pelo polêmico processo de sucessão que lhe permitiu assumir a liderança do grupo fundado por seu avô Lee Byung-chull.
Lee Jae-yong havia até prometido que seria o último na linha de sucessão familiar e que seus filhos não herdariam a companhia. Seu pai e avô também tiveram problemas com a lei, mas nenhum deles cumpriu pena de prisão.
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