Fed diz que planeja continuar com aumentos graduais nas taxas de juros


Em sua última reunião, o banco central americano elevou a taxa de juros pela terceira vez este ano. Policial observa o prédio do Federal Reserve, em Washington
Kevin Lamarque/Reuters
O Federal Reserve (banco central dos EUA) informou nesta terça-feira (17) que planeja continuar com aumentos graduais nas taxas de juros, segundo a divulgação da ata de setembro, na qual a autoridade monetária elevou a taxa pela terceira vez este ano, devido à força do crescimento econômico do país.
A ata do encontro de setembro mostra ainda que todos os membros votantes apoiaram o aumento da taxa de juros no mês passado e também concordaram, de maneira geral, que os custos de empréstimos devem subir mais.
A demonstração de unanimidade no encontro no final de setembro pode impulsionar expectativas de que o comitê de definição dos juros do banco central vai aumentar os juros novamente em dezembro.
Os juros saíram do intervalo de 1,75% a 2% ao ano para a faixa de 2% a 2,25%. Além do aumento em dezembro, a expectativa é de três altas no ano que vem e um aumento em 2020.
Desde a reunião, uma série de dados econômicos fortes levou autoridades do Fed a dizerem que esperam continuar o ciclo de alta.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em uma entrevista à Fox Business News na terça-feira (16) que sua maior ameaça é o Fed. O presidente tem expressado seu descontentamento com o presidente da instituição, Jerome Powell.
Taxa aumentou oito vezes em 3 anos
Desde 2015, o Fed vem aumentando os juros gradualmente – foram oito altas – e as autoridades monetárias estão preocupadas que a economia esteja tão forte que a inflação possa subir de forma persistente acima da meta de 2% do banco central.
Mas há também a preocupação com as disputas comerciais globais que podem prejudicar as empresas e as famílias.
O governo do presidente Donald Trump elevou as tarifas sobre as importações de vários países, incluindo a China e membros da União Europeia, provocando tarifas retaliatórias sobre as exportações dos EUA.
Isso coloca o Fed em uma situação difícil em caso de as disputas comerciais piorarem, com as empresas norte-americanas precisando reduzir as contratações e os consumidores enfrentando preços mais altos nas importações.
A alta dos juros nos Estados Unidos atrai investidores que antes aplicavam recursos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil. Isso motiva uma tendência de alta do dólar em relação ao real.
Casa Branca ameniza crítica de Trump
O assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou nesta quarta que Donald Trump não está exigindo uma mudança de política do Federal Reserve após mais críticas ao banco central norte-americano na terça-feira, ao chamar a alta dos juros de sua “maior ameaça”.
No que acabou virando um padrão recentemente, Kudlow usou o dia seguinte às declarações de Trump para amenizar as incomuns críticas do presidente ao Fed, dizendo que Trump na verdade concorda com o banco central.
“Ele não está interferindo na independência deles”, disse Kudlow à Fox Business Network, mesmo canal de televisão usado por Trump. “Ele não está indo lá para dizer a eles que mudem seus planos ou sua estratégia.”
Embora o Fed seja politicamente independente e suas autoridades tenham sinalizado quase que de maneira uniforme que pretendem manter o aperto da política monetária, alguns economistas alertaram que as declarações de Trump podem acabar prejudicando sua legitimidade.
“Uma batalha prolongada sobre a independência do Fed pode colocar em risco juros mais altos no longo prazo através de prêmios de longo prazo e expectativas de inflação mais elevados, contrário aos próprios objetivos de Trump”, disse em nota Michael Hanson, chefe de estratégia global do TD Securities.

https://g1.globo.com/economia

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