Economistas veem neutralidade no comunicado do Copom e manutenção da Selic na próxima reunião


Para analistas, Selic deve permanecer em 6,5% ao ano, embora comitê tenha reconhecido a fraqueza da atividade econômica. Copom decidiu pela manutenção da taxa básica de juros
Divulgação – Banco Central
O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado na noite desta quarta-feira (8), após a manutenção da taxa de básica de juros em 6,5%, foi classificado como neutro pelos economistas. Na leitura dos analistas ouvidos pelo G1, a Selic deve permanecer estável na próxima reunião, mesmo com os integrantes do comitê reconhecendo uma piora no ritmo da atividade econômica.
No comunicado desta quarta, o Copom afirmou que o “risco associado à ociosidade dos fatores de produção”, ou seja, aqueles ligados ao comportamento da atividade econômica, se elevou em relação ao cenário do encontro de março.
“O comunicado veio parecido com o que estávamos esperando, de neutralidade em relação ao futuro da política monetária”, afirma a especialista da Mongeral Aegon Investimentos, Patricia Pereira.
De fato, o desempenho da atividade econômica tem decepcionado neste ano. No último relatório Focus, do Banco Central, os analistas consultados pela instituição passaram a estimar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 1,5% para 2019. Em janeiro, as previsões mais otimistas previam uma alta da atividade econômica de quase 3%.
Na esteira dessa fraqueza, parte dos bancos e das consultorias econômicas já começou a reduzir a previsão da Selic para o fim deste ano. No mês passado, por exemplo, o banco Itaú, passou a estimar que a Selic vai encerrar 2019 no patamar de 5,75%.
“A gente esperava que já poderia ter um corte (na Selic) agora. Os números mostram que tem espaço para cortar. Estamos no maior nível de ociosidade da indústria história, o mercado de trabalho extremamente degradado, e uma inflação que voltou a subir por fatores conjunturais”, afirma o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini.
Agostini mantém a projeção para possíveis cortes nas próximas reuniões, mas ressalva que fatores como a guerra comercial entre China e Estados Unidos podem alterar a trajetória dos juros. “O cenário internacional vem pesando para o Banco Central. Então, são algumas variáveis que justificam a estabilidade”, avalia.
Espera por reformas
Um ambiente de maior consenso de eventual corte dos juros, no entanto, só vai se consolidar se o governo conseguir avançar com a agenda de reforma, em especial com a da Previdência. A mudança na atual legislação previdenciária é considerada essencial para o sucesso do ajuste fiscal e, consequentemente, para que os investidores mantenham a confiança na economia brasileira.
No comunicado, o próprio comitê destacou que será preciso observar o comportamento da econômica “ao longo do tempo” e que uma avaliação não será concluída “a curto prazo”.
“A mensagem é que o Copom não tem a intenção de agir nem para cortar nem para subir os juros enquanto não houver uma evolução mais concreta do cenário”, diz a economista-chefe da XP Asset Management, Isabela Guarino.
Parte do mercado está decepcionada com o ritmo de avanço da reforma da Previdência. A equipe econômica tinha como prazo aprovar a reforma na Câmara no primeiro semestre, mas a discussão ainda está na comissão especial.

https://g1.globo.com/economia

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.