Dona de rede de lavanderias no Rio vê faturamento cair 70% diante crise do coronavírus


Em três semanas de isolamento social, empresária precisou fechar uma das três lojas e demitir uma funcionária. Com alugueis atrasados, ela aguarda empréstimo para manter salários em dia e não fazer novas demissões. Em 30 anos de negócio, a empresária Cláudia Medeiros Mendes, de 55 anos, diz nunca ter enfrentado uma crise semelhante a atual, provocada pela pandemia do coronavírus. Dona de três lavanderias em Copacabana, Zona Sul do Rio, em três semanas ela teve o faturamento reduzido em cerca de 70% e se viu obrigada a fechar uma das unidades e demitir uma funcionária.
“Já vivi outras crises. Fomos pioneiros nesse segmento de lavanderia em Copacabana e houve um período em que a concorrência explodiu, de forma desigual. Foi uma fase difícil, mas durou pouco, porque a maioria dos negócios faliu. Essa crise de agora parece pior e é cheia de incertezas”, contou a empresária.
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Dona de rede de lavanderias no Rio vê faturamento cair 70% diante da crise do coronavírus
O G1 esteve em uma das lavanderias de Cláudia no dia 18 de março, um dia após o primeiro decreto estadual restringindo o funcionamento de estabelecimentos comerciais como uma das medidas para conter a disseminação do novo vírus.
Embora o decreto não atingisse o segmento de lavanderias, considerado um serviço essencial, toda a rotina da rede da empresária já havia sido alterada na ocasião. O horário de funcionamento das lojas foi reduzido e os funcionários foram divididos em dois grupos para escala de trabalho em dias alternados.
“Essa foi uma forma que a gente conseguiu para que diminuísse o número de pessoas dentro do espaço e, também, a exposição deles nos transportes públicos”, enfatizou Cláudia.
Fachada de uma das três lojas da rede de lavanderias Laundry Express, em Copacabana, da empresária Cládia Medeiros Mendes
Daniel Silveira/G1
Corte de pessoal
No dia 18 de março, Cláudia disse que sua maior preocupação era, além da saúde de toda equipe, “manter toda a nossa equipe sem prejuízo nenhum e honrando o salário deles”. Na passagem do mês, no entanto, ela se viu obrigada a fazer uma demissão.
Dos 18 funcionários da rede, uma havia sido mantida em casa, sem prejuízo do salário, porque tem mais de 60 anos. Todavia, ela acabou sendo demitida. O critério que mais pesou para esse desligamento foi o fato de que essa funcionária ainda estava sob contrato temporário.
“Ela tinha sido contratada no final do ano, quando o movimento estava bem aquecido. Por ocasião [da pandemia] do corononavírus, eu acabei optando por desligá-la, porque nós estamos com a demanda de serviços muito reduzida”, disse.
Loja fechada e arrombada
Das três lojas da rede, uma foi fechada logo no início das medidas de isolamento social impostas pelo poder público.
“A gente fechou essa unidade por dois motivos. O primeiro foi por segurança, porque as ruas estavam ficando muito desertas. O outro foi porque o movimento nas lojas tinha despencado e eu vi que precisaria concentrar mais no delivery”, disse Cláudia.
Mesmo fechada, a loja acabou dando prejuízo extra para Cláudia. Na madrugada do dia 2 de abril, a unidade foi arrombada.
“Conseguiram fazer um buraco no vidro, que tem película antivandalismo, e pegar alguns itens que estavam atrás dele. A vizinhança chamou a polícia e os policiais chegaram rápido. Conseguiram pegar um suspeito alguns quarteirões à frente e a gente recuperou 60% do que foi levado”, contou a empresária, que preferiu não revelar o que foi furtado.
Salários em dia, alugueis atrasados
Cláudia revela que o faturamento da rede caiu cerca de 70% nas três primeiras semanas de isolamento social e que teme perdas ainda maiores. “Cada dia tem menos demanda e o meu caixa futuro está cada vez fica menor”, enfatizou.
A empresária Cláudia Medeiros Mendes, dona de uma rede de lavanderias em Copacabana, Zona Sul do Rio, disse nunca ter enfrentado crise tão severa em 30 anos de negócio
Daniel Silveira/G1
A empresária havia reforçado o estoque de insumos antes da crise provocada pela pandemia, o que não lhe provocou impacto em relação a fornecedores. Os custos que mais pesam, no entanto, são os alugueis das três lojas, que somam cerca de R$ 27 mil.
Para quitar a folha de pagamentos de março, paga em abril, Cláudia sacrificou os alugueis. “Um dos alugueis nós pagamos, outro pagamos apenas metade e o outro deixamos de pagar. Eu avisei proprietários que não tinha como pagá-los e daqui para frente a gente tem que negociar”, revelou.
Enquanto negocia os alugueis, a empresária aguarda a liberação de empréstimo bancário para pagar o salário dos funcionários – um dos incentivos do governo federal aos pequenos empresários para manutenção de empregos. Com juros de 3,75% ao ano e seis meses de carência para pagar, esse empréstimo ainda não estava sendo concedido pelo banco do qual Cláudia é cliente.
“A minha gerente do banco disse que ainda não tinha recebido nenhuma orientação de como aplicar esses recursos que o governo liberou. Ou seja, eu não sei como vai ser a minha próxima folha de pagamentos”, ressaltou.
Manter o negócio e pagar o salário de todos os funcionários é ainda o maior desafio da empresária.
“Todos os dias nós pensamos em novas estratégias para continuar mantendo nosso negócio e continuar pagando nossos funcionários”, enfatizou.

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