Dólar opera em alta na reabertura dos mercados e bate R$ 4,42


Na sexta-feira, moeda dos EUA alcançou pela primeira vez a cotação de R$ 4,40 e fechou a R$ 4,3926. O dólar opera em alta nesta quarta-feira (26), atingindo pela primeira vez o patamar de R$ 4,42, na reabertura do mercado de câmbio após o carnaval, em meio ao avanço da epidemia de coronavírus pelo mundo e confirmação do primeiro caso no Brasil.
Às 13h24, a moeda dos EUA era negociada a R$ 4,4180, com alta de 0,58%. Na máxima até o momento chegou a R$ 4,4240, maior cotação nominal intradia já registrada no país. Veja mais cotações.
Na sexta-feira, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 4,3926 na venda, novo recorde de fechamento nominal (sem considerar a inflação). Na abertura, chegou a R$ 4,4061 – até então a maior máxima nominal intradia já registrada. Na semana, acumulou alta de 2,16%. No mês, o avanço é de 2,51%. Em 2020, já subiu 9,55%.
A alta acontece mesmo após o Banco Central anunciar um leilão extraordinário de dólares. O BC ofertará nesta sessão até 10 mil contratos de swap tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020, conforme anunciado esta manhã, antes da abertura das negociações.
A autarquia também ofertará na quinta-feira, entre 9h30 e 9h40, até 20 mil contratos de swap tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro deste ano.
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Entenda os impactos do avanço do coronavírus na economia global e brasileira
Tensão global
No exterior, os mercados globais foram fortemente abalados na segunda (24) e terça (25) em razão do avanço do coronavírus fora da China, com quedas entre 6% e 7% nas principais bolsas.
Por conta de fluxos elevados de capitais para mercados de menor risco, o dólar segue se valorizando frente a outras moedas, em especial moedas de países emergentes como o real.
As preocupações se elevaram nos últimos dias uma onda de novos casos foi do coronavírus ser reportada na Coréia do Sul, Irã e Itália, gerando paralisação de algumas atividades nos países.
Investidores temem os impactos do avanço do coronavírus no crescimento da economia global e diversas empresas alertaram que o surto afetará suas finanças, incluindo United Airlines, Mastercard, Danone e Diageo.
Os preços do petróleo caíam nesta quarta-feira abaixo de US$ 50 nos EUA, menor valor desde janeiro de 2019. Já o petróleo Brent era negociado abaixo de US$ 54.
Os rendimentos a 10 e 30 anos dos títulos do Tesouro dos EUA caíram para níveis mínimos históricos enquanto outro porto-seguro, os títulos alemães também viram os títulos de 10 anos recuarem para mínimos de quatro meses, enquanto investidores buscam proteção contra o impacto do vírus no crescimento econômico.
Entre os analistas, crescem as apostas de mais medidas de estímulos e de cortes nas taxas de juros na Europa e no Estados Unidos para sustentar a economia.
“Historicamente, investidores compram títulos do governo americano em períodos de aumento de elevação de risco, fazendo subir seus preços e diminuir os juros embutidos nesses títulos. A curva de juros americana também já precifica novos cortes de juros pelo FED nas próximas reuniões”, destacou a equipe da XP Investimentos.
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O que explica as altas recentes
Além das preocupações sobre o impacto do coronavírus na economia global, o dólar mais valorizado nas últimas semanas tem refletido os juros em mínimas históricas no Brasil e as perspectivas sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira e andamento das reformas.
Diversas instituições financeiras têm revisado para baixo suas perspectivas para o crescimento econômico em 2020 na esteira da disseminação do novo coronavírus e da percepção de uma lentidão um pouco maior que o esperado no ritmo de crescimento neste início de ano.
O mercado brasileiro reduziu para 2,20% a previsão a alta do PIB em 2020, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta quarta, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento de, no máximo, 2%.
Já a projeção do mercado para a taxa de câmbio no fim de 2020 subiu de R$ 4,10 para R$ 4,15 por dólar. Para o fechamento de 2021, subiu de R$ 4,11 para R$ 4,15 por dólar.
A redução sucessiva da Selic desde julho de 2019 também contribui para uma maior desvalorização do real ante o dólar. Isso porque diminuiu ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e outros pares emergentes, o que pode tornar o investimento no país menos atrativo para estrangeiros e gerar um fluxo de saída de dólar. E cresce no mercado as apostas da chance de um possível novo corte na Selic, atualmente em 4,25% ao ano.
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Arte/G1

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