Dólar opera com volatilidade após nova ação do BC


Na quinta-feira, moeda norte-americana fechou cotada a R$ 4,6509, renovando recorde. No ano, alta acumulada já é de 15,99%. Dólar vai a R$ 4,65 e renova recorde
O dólar opera com volatilidade nesta sexta-feira (6), após ter atingido R$ 4,67 mais cedo e após mais uma intervenção do Banco Central.
Às 14h42, a moeda norte-americana caía 0,30%, cotada a R$ 4,6371. Na abertura, recuou a R$ 4,6315. Na máxima do dia até o momento, chegou a R$ 4,6710; na mínima, a R$ 4,6117. Veja mais cotações.
No dia anterior, o dólar fechou em alta de 1,57%, a R$ 4,6509, mesmo com leilão extra do Banco Central. Na máxima, chegou a R$ 4,6664. No ano, a alta acumulada chegou a 15,99%.
Já a Bovespa opera com forte queda nesta sexta, seguindo os mercados externos, e perde o patamar dos 100 mil pontos.
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O Banco Central realizou um leilão extra de dólares na manhã desta sexta-feira, com oferta de até R$ 2 bilhões em contratos de swap cambial tradicional.
Guedes reafirma que câmbio é flutuante
Falando em evento em São Paulo na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o câmbio é flutuante e disse que o dólar pode recuar se o governo adotar as medidas corretas ao seguir na agenda de reformas para que a confiança do investidor no país seja recuperada.
“É um câmbio que flutua. Se eu fizer muita besteira, ele pode ir para esse nível (de R$ 5). Se eu fizer muita coisa certa, pode descer”, disse. “(Com a as reformas), mais rápidos são retomados os investimentos, e o dólar acalma.”
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Expectativa de novo corte de juros
Segundo muitos analistas, colabora para o movimento de alta a expectativa de corte de juros no Brasil, depois que vários bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, iniciaram movimentos de flexibilização monetária em defesa contra os riscos do coronavírus.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunirá em 17 e 18 de março para deliberar sobre a taxa de juros, que está em patamar mínimo recorde de 4,25% ao ano.
A redução sucessiva da Selic a mínimas históricas tornou alguns rendimentos baseados na taxa de juros brasileira menos atraentes para o investidor estrangeiro, o que recentemente prejudicou o desempenho do real. Isso porque diminuiu ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e outros pares emergentes, o que pode tornar o investimento no país menos atrativo para estrangeiros e gerar um fluxo de saída de dólar.
Críticas ao Banco Central
Analistas passaram a criticar a estratégia de atuação do Banco Central e o volume de dólares oferecidos nos leilões.
“O BC vem nesse discurso de que dólar alto não é problema, de prover liquidez apenas com ações pontuais, mas o movimento hoje mostra que os leilões não estão mais fazendo impacto sobre os preços. Na verdade, estão praticamente ignorando e passando por cima, o que corrobora a visão de que é um movimento especulativo”, disse ao Valor Online o diretor de Tesouraria do Santander, Luiz Masagão.
Masagão entende que, desde que voltou a colocar sobre a mesa a possibilidade de novas quedas da Selic este ano, a autoridade monetária trouxe volatilidade adicional aos mercados. “Acreditamos que o BC deveria aumentar os volumes de intervenção. A forma como isso deve ser feita [se através de um programa ou pontualmente] importa pouco. O importante é interromper essa dinâmica especulativa”, acrescentou.
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Previsão de alta menor do PIB em 2020
O avanço da epidemia do novo coronavírus pelo mundo tem provocado abalos nos mercados globais e elevado as preocupações de investidores e governos sobre o impacto da propagação do vírus nas cadeias globais de suprimentos, nos lucros das empresas e na desaceleração do crescimento da economia global.
A recuperação lenta da economia e redução das projeções para a alta do PIB em 2020 também tem pesado no mercado de câmbio.
Por ora, os economistas avaliam que a economia deve crescer entre 1,5% e 2% neste ano.
O ministro Paulo Guedes reafirmou nesta quinta-feira que o regime é de câmbio flutuante e que o modelo econômico mudou, pois os juros são baixos. Afirmou também que acredita que não há fuga de capital e reiterou que o impacto do coronavírus no Brasil deve ser limitado, pois o país é uma economia fechada.
Variação do dólar em 2020
Economia G1

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