Dólar avança e chega a R$ 3,93 com temores de desaceleração global


Na sexta-feira (10), moeda norte-americana subiu 0,53%, negociada a R$ 3,8950. Cédulas de dólar e real.
Reuters
O dólar opera em alta nesta segunda-feira (10), em meio à continuidade da tensão entre Estados Unidos e China e diante de preocupações com o enfraquecimento econômico global. No cenário local, o mercado acompanha denúncias envolvendo um ex-assessor do filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro.
Às 13h09, a moeda norte-americana avançava 0,81%, vendida a R$ 3,9265. Veja mais cotações. Na máxima do dia até o momento, foi a R$ 3,9350.
“Dado que não temos muito o que esperar no curto prazo (no mercado local), estamos ligados ao externo. E não acredito que o investidor esteja colocando muito prêmio”, disse à Reuters o operador de câmbio da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado ao destacar que pontos importantes, como a reforma da Previdência, só devem ocorrer no próximo ano.
“O único fato mais relevante e capaz de garantir um eventual rali até o fim do ano seria um Federal Reserve sendo ainda mais claro em sua leitura de desaceleração do ritmo de aperto monetário atual”, acrescentou ao citar o encontro de política monetária do banco central dos Estados Unidos nos dias 18 e 19 de dezembro.
Após discursos recentes de autoridades da instituição sobre proximidade da taxa de juros neutra, há expectativa de que o Fed encerre o ciclo de alta de juros.
Os investidores também estão cautelosos com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que ganhou um adicional com a prisão de executiva da empresa chinesa Huawei, o que levanta preocupações de que a trégua acertada entre os presidentes das duas nações no G20 não sirva para se chegar de fato a um acordo.
Há ainda a preocupação sobre a desaceleração econômica mundial, sobretudo depois que a China mostrou exportações e importações crescendo muito menos do que se esperava em novembro, já refletindo o desaquecimento gerado pela briga comercial e que tem o agravante de que o país registrou maior superávit com os Estados Unidos no mês passado.
Os decepcionantes dados de emprego dos EUA na sexta-feira deixaram Wall Street com queda de mais de 2% e o movimento se espalhou por mercados desenvolvidos e em desenvolvimento na Ásia nesta segunda-feira.
“Não é apenas a China, os EUA e o Japão, vamos adicionar a Europa e a Austrália também. Os dados são muito, muito ruins em todos os lugares e não são dados retroativos”, disse à Reuters Stephen Innes, diretor de negociações da região Ásia-Pacífico da OANDA. “O sentimento é ruim para as ações em geral. Eu não vejo nenhuma esperança. Vai ser uma péssima temporada de férias pelo que parece”, acrescentou.
Internamente, o foco se voltava para as denúncias envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito e filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, que podem impactar o futuro governo.
O Banco Central vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 4,149 bilhões do total de US$ 10,373 bilhões que vence em janeiro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.
Última sessão
O dólar avançou pela quarta vez consecutiva nesta sexta-feira (7), com os investidores repercutindo dados mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos e o corte de produção de petróleo anunciado pela Opep. A moeda subiu 0,53%, negociada a R$ 3,8950. Na máxima, chegou a R$ 3,9243.

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