Coronavírus: mais da metade das empresas têm 'queda intensa' na demanda, diz pesquisa da CNI

Entidade manifesta preocupação com manutenção de empregos, mas aponta que prioridade, neste momento, é seguir as recomendações da OMS e preservar vidas. A pandemia do novo coronavírus causou uma queda na demanda por produtos e serviços industriais para 79% das empresas, sendo que 53% delas relatam uma “queda intensa”, segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Por outro lado, uma parcela de 5% registra aumento da demanda e, para 2% das companhias, houve aumento intenso da procura por seus produtos. A consulta, de acordo com a entidade, foi realizada com 734 empresas de pequeno, médio e grande porte entre 26 e 27 de março.
A queda no faturamento é o principal impacto da pandemia do novo coronavírus, apontada como um dos três principais por 70% das empresas industriais consultadas. Em segundo lugar, aparece o cancelamento de pedidos e encomendas (49%), seguido pela queda na produção (33%) e paralisação da produção (30%).
A pesquisa identificou que 38% das empresas dizem enfrentar muita dificuldade; 45% pouca dificuldade; e 17% afirmam não ter problemas no transporte dos produtos, insumos ou matérias-primas.
23% das empresas apontam que a produção está parada por tempo determinado; 18% por tempo indeterminado; 19% relataram queda intensa na produção; 21% relataram queda; 15% estabilidade; 4% aumento; e 1% aumento intenso.
A adoção de trabalho domiciliar (home office) é a medida mais amplamente utilizada: 58% das empresas consultadas adotaram a medida. Não obstante, em se tratando de indústrias, tal medida não alcança a maior parte dos trabalhadores.
Outra medida relativa à segurança de saúde ao trabalhador é o afastamento de empregados com sintomas, medida que foi tomada por 46% das empresas consultadas.
A concessão de férias a parte dos trabalhadores foi adotada por 47% das empresas. Essa medida, ainda que contribua para a redução da disseminação da doença e possa ter sido tomada por esse motivo, também é resposta à queda na produção.
Outras medidas são o uso de banco de horas, que permite o trabalhador se ausentar nesse momento e compensar o tempo não trabalhado mais tarde (35%).
A dispensa/demissão do trabalhador foi adotada por 15% das empresas consultadas e que 13% reduziram a jornada de trabalho.
42% das empresas dizem enfrentar uma situação muito difícil, um percentual de 31% relata uma situação difícil; 24%, nem fácil nem difícil; 2%, fácil; e 1%, muito fácil sobre sua disponibilidade financeira para lidar com pagamentos de rotina (tributos, fornecedores, salários, energia elétrica e aluguel).
No que diz respeito ao capital de giro, 39% das empresas dizem que não buscaram esses recursos. Considerando apenas as que buscaram capital de giro, para 45%, está muito mais difícil conseguir essas linhas de financiamento. Uma parcela de 33% disse que está mais difícil. Para 20%, esse cenário segue inalterado e, para 2%, está mais fácil.
Preservação de vidas e dos empregos
O presidente da CNI, Robson Braga, afirmou que há “grande preocupação” com a manutenção do emprego no setor industrial, e que o cenário traçado na consulta reforça a importância de medidas coordenadas entre setores público e privado para que o impacto sobre o emprego seja reduzido e para a volta da recuperação da economia não seja ainda mais “lenta e mais difícil”.
Braga estava no grupo de pessoas que participou da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos no início deste mês, e que foi diagnosticado com o novo coronavírus. Segundo ele, a prioridade, neste momento, é a preservação das vidas, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para o presidente da CNI, também é necessário estabelecer, com urgência, uma estratégia e um planejamento para se promover uma “retomada responsável, segura e gradativa da atividade econômica, uma vez que os impactos já são significativos e não poderão ser suportados pela indústria por muito tempo”.
“Precisamos ter o equilíbrio necessário para retomar a atividade em alguns meses. Tem que procurar evitar a demissão. Até porque a demissão traria consequências posteriores. É importante dar sinalização de que não haverá demissão, porque será um grande problema na frente”, declarou o presidente da CNI.
De acordo com o levantamento da CNI, sendo a queda no faturamento o principal impacto da pandemia do novo coronavírus, seguido pelo cancelamento de pedidos e encomendas; pela queda e paralisação na produção, o cenário atual suscita “preocupação com a sobrevivência das empresas”.
“O governo brasileiro precisa intensificar as ações de combate à Covid-19 e de ajuda à população e às empresas. O uso de recursos públicos deve ser direcionado ao fortalecimento do sistema de saúde e ao alívio da situação financeira das empresas, com a finalidade de preservar os empregos”, recomenda a CNI, em relatório.

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