Coordenadora do IBGE diz que órgão ainda não sabe tamanho do corte no orçamento do Censo 2020

Maria Vilma Salles Garcia participou de audiência pública na Câmara. Em abril, o próprio IBGE havia anunciado que haveria redução de 25% no orçamento, mas depois voltou atrás. Em audiência na Câmara dos Deputados, a coordenadora operacional dos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maria Vilma Salles Garcia, disse nesta terça-feira (21) que ainda não foi definido pelo governo o tamanho do corte no orçamento para a realização do Censo Demográfico 2020.
Realizado a cada dez anos, o Censo Demográfico tem abrangência nacional. Os pesquisadores do IBGE visitam os domicílios brasileiros a fim de obter dados sobre as características dos moradores, estudo e trabalho, entre outras informações.
A última edição do Censo foi realizada em 2010. O IBGE estima que, desde então, a população tenha aumentado em cerca de 10,4%.
Em abril, próprio IBGE chegou a falar em queda de 25% no orçamento inicialmente previsto para a realização da pesquisa. Segundo a coordenadora, o orçamento inicial era da ordem R$ 3,1 bilhões. Depois, porém, a presidente do instituto, Susana Cordeiro Guerra, disse que o tamanho do corte ainda não estava definido.
“Nós não temos ainda a sinalização do governo, do Ministério da Economia, de qual é o limite [do orçamento]. Vocês que trabalham em órgãos públicos sabem que no mês junho é fornecido para cada órgão qual é o seu limite orçamentário, seu teto, para que a gente se encaixe dentro dele. A gente não tem esse valor. Foi falado em 25% [de corte orçamentário]. Isso foram sinalizações que a nossa presidente recebeu da equipe econômica nas diversas conversas que ela tem tido”, disse Maria Vilma Salles Garcia, que participou de audiência na Comissão do Trabalho da Câmara representando a presidente do IBGE.
“Então, [com redução de] 25%, chegaríamos a [um orçamento para o Censo de] R$ 2,3 bilhões, a R$ 2,4 bilhões. Então, a gente precisa ter esse número, a gente precisa reconstruir, refazer esse orçamento e poder dizer: ‘Sim, dá para fazer o censo’. Deve. E a gente está torcendo muito para que isso aconteça, que a gente consiga fazer. A gente tem praticamente certeza absoluta de que o ano que vem nós vamos fazer esse censo com os recursos que nos forem atribuídos” complementou.
Desde fevereiro, o governo vem defendendo a necessidade de reduzir o orçamento para a pesquisa. Naquele mês, durante a cerimônia de posse de Susana Cordeiro Guerra, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia adiantado a intenção de “simplificar o Censo”.
Na ocasião, Guedes disse que o mapeamento da população brasileira precisa conter apenas o essencial em seu questionário. Segundo ele, uma das possibilidades em estudo é a redução do questionário, que hoje tem cerca de 150 perguntas, para que os pesquisadores passassem menos tempo nas casas realizando a pesquisa.
Durante a audiência na Câmara, porém, o ex-presidente do IBGE Eduardo Pereira Nunes defendeu que a redução do número de perguntas do censo não reduzirá os custos.
“Não nos esqueçamos que o Brasil é um país complexo, de 8 milhões de km², e que chegar na Amazônia brasileira, com um questionário de uma pergunta ou de 360 perguntas, como o ministro sugeriu, custa a mesma coisa. Porque tem lugares da Amazônia em que nós precisamos alugar um barco grande, com cozinheiro, inclusive o dinheiro dos recenseadores, pequenos barcos, esse barco vai subindo o rio, vai deixando os recenseadores pelos braços do rio e 30 dias depois volta para recolher. E quanto custa isso? Qualquer que seja o tamanho do questionário, a despesa vai ser a mesma. E isso é o que encarece o censo, e não cortar questão A, B ou C”, disse Nunes.

https://g1.globo.com/economia

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