Cidade canadense abriga a maior fábrica de maconha legal do mundo


Plano inicial era empregar 100 pessoas. Agora, são quase mil pessoas trabalhando na Canopy Growth Corporation. Inicialmente chamada de Tweed Marijuana, a Canopy Rivers opera desde a fundação, em 2014, produzindo maconha para fins medicinais.
Reprodução/Twitter/Canopy Rivers
A pequena cidade canadense de Smiths Falls se transformou na capital mundial da maconha graças à Canopy Growth Corporation, a maior produtora de cannabis do mundo e que tem ambiciosos planos de expansão.
Inicialmente chamada de Tweed Marijuana, a empresa opera desde a fundação, em 2014, produzindo maconha para fins medicinais, já que em 2001 o Canadá legalizou o uso terapêutico da erva. Antes mesmo até de o país legalizar o consumo recreativo em todo o país, na quarta-feira passada, a Canopy Growth já tinha um valor de mercado de US$ 11 bilhões.
O grande salto, no entanto, aconteceu depois que o Partido Liberal do Canadá, liderado pelo atual primeiro-ministro, Justin Trudeau, ganhou com maioria as eleições gerais em 2015. Entre os principais pontos do programa de governo estava a legalização do consumo recreativo da maconha.
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No último dia 17, Bruce Linton, o fundador de Canopy Growth, reconheceu a um pequeno grupo de jornalistas que quando a vitória de Trudeau e dos liberais foi confirmada, ele sabia que o negócio da maconha se expandiria rapidamente.
“Sabíamos que não seria reeleito se não cumprisse as primeiras promessas e isso foi o que nos ajudou a seguir em frente”, confessou Linton.
Para garantir o crescimento, a Canopy Growth adquiriu uma antiga unidade da Hershey’s, que encerrou suas atividades na cidade em 2009.
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De acordo com Shawn Pankow, o prefeito de Smiths Falls, que tem 9 mil habitantes, o maior medo da população era que aquele lugar, que por décadas foi o principal sustento financeiro de várias famílias, fosse demolida. Quando Linton e sua equipe contaram e ele a intenção de transformar a fábrica de chocolate em fábrica de maconha, Pankow nunca imaginou o resultado da aposta.
“O plano inicial era empregar 100 pessoas e ocupar um terço da fábrica. Agora, são quase mil pessoas e ele são o maior produtor de maconha do mundo. O futuro é incrível. Estamos entusiasmados. Precisamos de mais gente trabalhando aqui”, afirmou o prefeito.
Dentro da fábrica as medidas de segurança e fitossanitárias são enormes. Os visitantes têm que colocar roupa especial e protetores no calçado para não contaminar nada. Depois de passar por duas portas herméticas, a primeira sensação é sentir o intenso aroma de maconha. Nas salas da fábrica, os técnicos da Canopy Growth aperfeiçoam as distintas variedades de cannabis desenvolvidas nos últimos anos e cultivam centenas de plantas em câmaras com extremo controle de luz e umidade.
Além das plantações da fábrica de Smiths Falls, a Canopy Growth tem outros nove centros de cultivo no Canadá. Cada vez mais, a empresa evita a produção dentro de edifícios e dá preferência à estufas para reduzir seu impacto no meio ambiente.
Em Smiths Falls, empresa também conta com laboratórios para, entre outras iniciativas, desenvolver bebidas e comidas com cannabis. que nos próximos 12 meses serão legalizadas no Canadá. Os diretores da empresa reconhecem que esses produtos são o “próximo horizonte” do setor, com enormes possibilidades de lucro.
Tanto que, de acordo com o vice-presidente de comunicações da Canopy Growth, Jordan Sinclair, a Constellation Brands, que produz, entre outras, a cerveja Corona, investiu US$ 3,80 bilhões em troca de 38% da produção.
“A relação com a Constellation é uma via de mão dupla. Por um lado, é uma relação estratégica: eles sabem mais do que nós sobre como adicionar sabores, engarrafar e distribuir bebidas. Mas também nos deram US$ 3,80 bilhões para a nossa expansão no mundo”, acrescentou.
Por enquanto, fora do Canadá, a Canopy Growth só se dedica à produção e pesquisa de maconha com fins terapêuticos. Mas, segundo Linton, tudo está mudando rapidamente. Para ele, o Canadá tem a chance de mostrar ao mundo como fazer e, ao mesmo tempo, tem a oportunidade de se tornar o líder mundial nesse tema.
“Desde Graham Bell (o inventor do telefone), nunca tivemos em uma posição de liderança melhor. A questão é saber aproveitar”, defendeu.

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