Chuvas são insuficientes e Paraíba e Ceará sofrem com falta d'água

Quase 80% das cidades paraibanas estão em situação de emergência. No Ceará, a capacidade hídrica é de pouco mais de 12%. Estiagem castiga zona rural da Paraíba e do Ceará
As chuvas deste ano não foram suficientes para encher os reservatórios de boa parte do sertão nordestino, depois de anos de seca.
“As chuvas deste ano foram bem melhores do que ano passado, embora ainda estejamos numa situação bastante crítica devido às chuvas ocorridas nos últimos anos, que foram abaixo da média”, diz a meteorologista Marle Bandeira.
Dos 233 municípios paraibanos, 176 estão em situação de emergência por causa da seca. Significa dizer que 80% das cidades estão sofrendo com falta d’água. Em todo o estado, 128 açudes são monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). Mais de 50% estão com menos de 20% da capacidade.
Em boa parte da zona rural de Boqueirão, Cariri da Paraíba, a água só chega de carro pipa, e apenas uma vez por mês. Por isso, os agricultores cuidam das cisternas como se fossem ouro.
O açude de Boqueirão abastece 19 cidades. Além da chuva, conta com a água da transposição do rio São Francisco. Os produtores que vivem pertinho do açude só podem irrigar plantações com até meio hectare.
“Aqui ninguém pode jogar um caneco fora não. Um pingo de água enche um caneco de água. De pingo em pingo enche”, diz o agricultor Antônio José Maurício.
No Ceará, a situação não é diferente. Hoje, a capacidade hídrica do estado é de pouco mais de 12%. A reserva deve garantir o abastecimento humano apenas para os próximos três meses.
Na cidade de Granjeiro, por exemplo, desde 2015 os moradores enfrentam escassez de água. O único reservatório da cidade, o açude do Junco, secou, e apenas este ano recuperou um pouco do volume que havia perdido. Mas a qualidade da água nas torneiras não é a ideal.

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