Casados e falidos: quando gastamos demais por amor


O custo médio de um casamento para 100 convidados no Brasil é de R$ 40 mil. Mas algumas cerimônias vão facilmente a centenas de milhares ou mesmo milhões de reais. Não à toa é uma indústria que movimenta R$ 17 bilhões por ano, segundo a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta).
Uma das razões é que as pessoas, quando vão se casar, não costumam conter as despesas. Bolos, fotos, comida, flores, decoração, praticamente tudo é mais caro quando é feito para os noivos. E, como tudo é símbolo do amor, raramente se pechincha, mesmo quando há opções mais baratas.
Acontece que noivos não formam uma categoria na qual a vontade de poupar é menor. Por que então o descontrole? O problema é que nestes gastos a relação custo-benefício não é levada em conta, dizem quatro psicólogos americanos. Para Peter McGraw, Derick Davis, Sydney E. Scott e Philip E. Tetlock, as pessoas gastam demais porque evitam botar um preço no amor.
Um estudo realizado por eles se debruça sobre a indústria dos casamentos nos Estados Unidos. São 2,1 milhões de núpcias a um custo médio de US$ 27 mil todos os anos. E o sonho do casamento perfeito anima desde cerimonialistas, floristas, confeiteiros e etc até vários reality shows na TV.
Em um dos experimentos, os participantes tinham de escolher um anel de noivado. Havia uma opção com um diamante de 1,25 quilate, que custava US$ 3,5 mil, e uma aliança com um diamante de 0,5 quilate por US$ 1.275. Embora um modelo tivesse menos quilates, era um anel luxuoso. Mesmo assim nove em cada 10 pessoas preferiram o mais caro.
Os pesquisadores realizaram depois o mesmo teste em um festival de produtos para casamentos, pedindo que noivas e noivos de verdade escolhessem a aliança. Todos revelaram que já haviam comprado um anel de noivado, portanto, tinham a experiência de ter desfrutado do gasto depois.
Mais uma vez 90% dos votos foram para o modelo mais caro. Os dois experimentos mostraram que, se tratando de objetos ligados ao amor, a tendência das pessoas é escolher pela qualidade, não importando o orçamento ou mesmo se há uma opção de qualidade por um preço mais em conta.
Outra parte do estudo verificou a disposição para gastar com mais uma despesa ligada ao afeto – funerais. Um grupo de estudantes teve de escolher entre gastar com uma urna para guardar as cinzas de uma pessoa querida após a cremação e gastar com uma urna para guardar um relógio antigo de valor emocional. Uma opção era de alto luxo e custava US$ 80. Havia ainda uma opção de qualidade, mas com menos luxo, por US$ 49. Qual terá sido a decisão?
Casados e falidos: quando gastamos demais por amor
Reprodução
Para guardar as cinzas, a escolha da maioria foi pela urna mais cara. Já no caso do relógio, mesmo sendo um objetivo afetivo, a urna barata foi a preferida. Isso se deu, segundo o estudo, porque os participantes atribuíram um valor emocional, “sagrado”, maior às cinzas, se dispondo a pagar mais por amor.
Não só com casamentos e funerais, mas com aniversário, bailes de debutante e formaturas, nossa tendência é evitar pensar nos custos. Se você age assim, pode até evitar botar um preço no amor, mas devia. O preço no fim das contas ocorre do mesmo jeito e acaba sendo o custo total, com uma conta muito maior para pagar.

https://g1.globo.com/economia

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.