Bolsas europeias afundam após restrições de viagens impostas por Trump

Principais índices caem mais de 5%. No mês, perda acumulada já se aproxima a 30%. Ações de viagem e lazer despenca 9,9% e atingem menor nível desde 2013. Bolsas asiáticas fecharam em queda nesta quinta-feira
As principais Bolsas da Europa registram fortes baixas nesta quinta-feira (12), horas depois do anúncio do presidente americano, Donald Trump, que suspendeu por 30 dias viagens de estrangeiros procedentes de Europa aos Estados Unidos, numa tentativa de travar a rápida propagação do coronavírus.
Por volta das 8h40 (horário de Brasília), o índice FTSE-100 de Londres perdia 5,53%. Na Alemanha, o Dax de Frankfurt cedia 5,89%. Na França, o o CAC 40 de Paris recuava 5,87% e, em Madri, o Ibex 35 recuava 5,94%, segundo dados da Bloomberg.
No mês, a queda acumulada já se aproxima a 30%. O índice de referência STOXX 600 atingiu o nível mais baixo em quase 4 anos.
As ações de viagem e lazer despencavam 9,9%, no menor nível desde 2013, com Air France KLM, Lufthansa e IAG perdendo entre 11,4% e 13,5%. O setor agora já perdeu mais de um quarto de seu valor este mês, segundo a Reuters.
Trump anunciou outras medidas para sustentar as empresas norte-americanas e promover o crescimento, mas alguns investidores não se mostraram convencidos de que a economia global pode se recuperar rapidamente conforme crescem as preocupações de que o número de infecções pode aumentar rapidamente em todo o mundo.
“Os mercados estão muito nervosos. Estamos potencialmente olhando para uma recessão”, disse Carlos Casanova, economista do Coface.
No radar dos investidores nesta quinta está também a reunião do Banco Central Europeu. A expectativa é que sejam anunciadas novas medidas de estímulo para ajudar a proteger a economia do choque causado pelo pandemia de coronavírus.
Entenda os impactos da pandemia de coronavírus nas economias global e brasileira
Donald Trump suspende viagens da Europa para os EUA por 30 dias
Empresas projetam prejuízos
Juntando-se a uma lista crescente de vítimas corporativas do surto, a WH Smith previu uma perda de 40 milhões de libras para o lucro anual, enquanto a operadora de lojas em aeroportos Dufry afirmou que que deverá cortar postos de trabalho depois de registrar uma queda de 7,3% nas vendas orgânicas. As ações das empresas caíram 17% e 16,8%, respectivamente.
Já a operadora de cinema Cineworld afundou 20% depois de ter dito que o pior cenário para o surto do vírus poderia lançar dúvidas sobre sua capacidade de continuar como uma preocupação contínua, destaca a Reuters.
Bolsas asiáticas fecham em queda
As bolsa europeias registram a mesma tendência dos mercados asiáticos, que fecharam com baixas significativas. A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 4,41% e a de Hong Kong 3,66%.
Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,92%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,52%. Ambos fecharam nos menores níveis desde 28 de fevereiro, perto da mínima de duas semanas.
Em Seul, o índice KOSPI teve desvalorização de 3,87%. Já em Sydney, o índice S&P/ASX 200 tombou 7,36%.
Petróleo segue em queda
Os preços do petróleo caem em torno de 6% nesta quinta. Às 8h18 (horário de Brasília).O petróleo Brent recuava 2,48 dólar, ou 6,93%, a US$ 33,31 por barril. O petróleo dos Estados Unidos caía 2,05 dólar, ou 6,22%, a US$ 30,93 por barril.
Por volta das 7h15, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 33,78, em Londres, em queda de 5,62% em relação ao fechamento do dia anterior.
Os dois contratos de referência do petróleo caíram cerca de 50% desde máximas tocadas em janeiro.

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.