BC diz que cartão de crédito concentra reestruturação de dívidas de pessoas físicas

Período analisado foi entre dezembro de 2016 e o mesmo mês de 2018. No fim do ano passado, 65% dos clientes que reestruturaram tinham dívidas abaixo de R$ 3 mil. Quase metade dos valores renegociados eram de crédito imobiliário. O Banco Central informou nesta terça-feira (21) que a modalidade de crédito com o maior número de tomadores com dívidas “reestruturadas”, em dezembro de 2018, foi a do cartão de crédito (27% do total de tomadores)
“Vale ressaltar a presença expressiva de tomadores de baixa renda (inferior a três salários mínimos) que recorrem ao instrumento renegocial: cerca de 70% das reestruturações de cartão são de clientes com esse perfil”, acrescentou, por meio de capítulo do Relatório de Estabilidade Bancária.
De acordo com a instituição, as chamadas “reestruturações” de dívidas bancárias acontecem quando os clientes enfrentam “dificuldades financeiras evidentes e, em geral, já tem parcelas em atraso” e se caracterizam por conceder “vantagens” aos tomadores.
O cartão de crédito rotativo é uma das modalidades com juros bancários mais elevados. Em março, somou 299% ao ano, de acordo com dados da instituição.
O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado pela pessoa que não pode pagar o valor total da sua fatura no vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Para usar o crédito rotativo, o consumidor paga qualquer valor entre o mínimo e total da fatura. O restante é automaticamente financiado e lançado no mês seguinte, com juros.
A recomendação de economistas é de que os clientes não usem essa modalidade, ou que, se necessário, a utilize por um período muito limitado de tempo.
Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que, a cada quatro brasileiros que fizeram compras no cartão de crédito, um deles (25%) entrou no rotativo em fevereiro.
Clientes com dívidas reestruturadas
Segundo o BC, o número de clientes bancários, pessoas físicas, com dívidas reestruturadas no sistema financeiro, ficou em cerca de 0,3% to total entre dezembro de 2016 e o mesmo mês do ano passado.
“Isso corresponde a uma média de 252 mil clientes com novas reestruturações a cada mês”, acrescentou o Banco Central, por meio de capítulo do Relatório de Estabilidade Bancária.
Ainda segundo o Banco Central, dos cerca de 278 mil tomadores que reestruturaram dívidas em dezembro de 2018, 178 mil tinham dívidas em montantes inferiores a R$ 3 mil.
“O saldo total reestruturado nessa faixa de valor foi de R$ 220 milhões, ou seja, aproximadamente 65% dos tomadores reestruturaram dívidas que correspondiam a apenas 8% do saldo reestruturado total”, acrescentou.
Informou ainda que maioria dos clientes que necessitam recorrer à reestruturação tem renda inferior a três salários mínimos, representando cerca de 70% do total para dezembro de 2018.
Dívidas mais altas
Por outro lado, informou a instituição, 63% do saldo da carteira reestruturada em dezembro de 2018 referia-se a dívidas acima de R$ 50 mil.
“Em dezembro de 2018, cerca de 15 mil tomadores de crédito imobiliário recorreram à reestruturação de suas dívidas. Ainda que pouco representativa em relação ao número de tomadores com operações reestruturadas (cerca de 6%), essa modalidade de crédito atinge R$1,3 bilhão de saldo na carteira (46% da carteira reestruturada)”, concluiu o BC.
Efetividade da reeestruturação
Por fim, o BC avaliou que as reestruturações de operações de crédito imobiliário foram mais efetivas do que as de cartão de crédito, uma vez que 84% dos clientes (e 83% da carteira reestruturada) do crédito imobiliário conseguiram se manter adimplentes ou com atrasos até 90 dias contra 48% dos clientes (e 55% da carteira reestruturada) do cartão de crédito (dezembro de 2017).
“Esse comportamento pode estar relacionado com o fato de o crédito imobiliário ser de alto volume e envolver uma boa garantia, levando a um maior interesse tanto por parte do tomador quanto da instituição concedente em mantê-lo adimplente”, acrescentou a instituição.
O Banco Central diz que a permanência dos tomadores na modalidade cartão de crédito é preocupante dado seu alto custo, que tende a levar ao aumento da inadimplência, e reforça a “importância de ações de cidadania financeira, alertando para a adequada utilização dessa modalidade de crédito ou sua substituição por outras mais convenientes e menos custosas”.

https://g1.globo.com/economia

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