Relatório da ONU sobre extinção de espécies gera reação de especialista: 'Alarmante'


O relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), divulgado nesta nesta segunda-feira (6) pela Organização das Nações Unidas (ONU), gerou reação na área brasileira de meio ambiente. O novo documento afirma que 1 milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção.
Para o biólogo e vice-presidente do Instituto de Democracia e Sustentabilidade (IDS), João Paulo Capobianco, o relatório é muito importante e precisa ser analisado a fundo por especialistas para ser traduzido ao público.
“O estudo é bastante alarmante, embora eles evitem dar esse tom. Mas os dados são impressionantes”, afirma.
O especialista diz que a situação do Brasil não está confortável e explica que, depois de o país ganhar destaque em termos de criação de áreas de proteção ambiental entre os anos de 2000 e 2010, os governos mais recentes não têm dado tanta importância ao tema.
Segundo ele, desde 2012 os governos têm deixado de lado o cuidado com a preservação do meio ambiente, situação que está ainda mais ameaçada com o atual governo.
“Há um esforço claro do atual governo de rever uma série de iniciativas que foram adotadas em governos anteriores. Não é apenas paralisar a agenda, porque o Brasil ainda tem muita coisa a fazer, mas o que este governo está sinalizando é que ele não vai apenas paralisar as ações ou diminuir o ritmo delas, mas também pretende rever iniciativas que o Brasil adotou nas últimas décadas”, alerta Capobiano.
Para ele, o estudo revela que o meio ambiente não pode ser deixado de lado. “Esse relatório vem em boa hora para mostrar isso, mostrar que falta muito a fazer e que não é o momento de paralisar ou retroagir no pouco que foi feito até agora”, defende o biólogo.
Em relação às áreas de proteção ambiental, Capobianco enfatiza que a criação das áreas de conservação, por si só, não tem sido suficiente para evitar a degradação.
“Você tem um problema de perda de biodiversidade que está se alastrando nos diferentes biomas e diferentes ecossistemas. Mesmo algumas áreas que estão protegidas, em tese, estão tendo um problema de contaminação de impactos diretos também”, explica.
Para o especialista, o desmatamento é um dos pontos mais significativos para o meio ambiente e o Brasil tem deixado a pauta de lado.
“A partir de 2012, o Brasil vem diminuindo muito a sua capacidade de combater o desmatamento, por exemplo, que é um dos fatores mais significativos no nosso caso. você elimina os habitats e isso evidentemente tem um impacto direto e discutível. Isso já está acontecendo com o Brasil. A questão é se vamos reverter isso ou se vamos prosseguir e acelerar esse processo”, questiona.
Relatório da ONU
O relatório divulgado nesta segunda-feira (6) é considerado o documento mais extenso sobre perdas do meio ambiente e mostra o resultado da revisão de mais de 15 mil pesquisas científicas e fontes governamentais.
Os cientistas que trabalham no estudo apontam que a perda do habitat natural, a exploração de fontes naturais, as mudanças climáticas, a poluição e as espécies invasoras são as principais causas das mudanças de grande impacto na natureza nas últimas décadas.

Editoria de Arte / G1

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