Movelaria, extração de óleo, produção de mudas: os bons exemplos de interação com a Amazônia


G1 visitou duas Unidades de Conservação no Pará e encontrou projetos que preservam a floresta e garantem renda local. Desafio Natureza: as formas positivas de interação com a Amazônia
A produção de alimentos e a extração de madeira e de outros produtos da Amazônia pode seguir regras e não afetar o equilíbrio da floresta. Com a autorização necessária e a ajuda de especialistas, cooperativas, organizações e comunidades conseguem gerar renda sem destruir a vegetação original.
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Na Floresta Nacional do Tapajós, uma Unidade de Conservação Sustentável localizada próxima à cidade de Santarém, uma cooperativa conseguiu o direito junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para fazer o manejo florestal comunitário.
A Cooperativa Mista da Flona Tapajós (Coomflona) faz a retirada das árvores com um plano elaborado por um engenheiro florestal. Em uma região determinada da floresta, a retirada da madeira é feita para aproveitar ao máximo todas as partes da árvore. Depois, a região não poderá ser mais mexida até a regeneração – cerca de 5 anos.
Produção de móveis dentro da Floresta Nacional do Tapajós reaproveita galhos de árvores
Marcelo Brandt/G1
Em um projeto recente para garantir esse maior aproveitamento da madeira, os cooperados da Coomflona criaram uma movelaria no meio da Amazônia. Os móveis têm madeira original e aproveitam os galhos grandes das árvores, que geralmente são descartados.
“A gente acabou percebendo que acabavam ficando na floresta os galhos, que são hoje aproveitados na movelaria”, conta o coordenador do projeto, Arlan Alves.
“Muitas pessoas pensam que é um galho fino, mas são pedaços de árvore que a gente usa para fazer uma mesa, uma cômoda, qualquer móvel”.
Extração do óleo de copaíba é feita de forma manual na Flona do Tapajós
Marcelo Brandt/G1
Extração de óleo
A mesma cooperativa faz a extração do óleo de copaíba. É um trabalho manual e de muita paciência: o G1 caminhou com a equipe dentro da Flona do Tapajós para tentar achar uma copaibeira com óleo dentro do caule. Foram cinco tentativas até conseguir no meio das árvores, com proteção nas pernas contra as cobras.
O óleo de copaíba serve para a produção de medicamentos, cosméticos e na fabricação do biodiesel.
Extração do óleo de Copaíba
Wagner Magalhães/G1
Do outro lado do Rio Tapajós, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, a ONG Saúde e Alegria trabalha junto à comunidade para evitar a queima da floresta. A ideia é que os moradores consigam plantar sem desmatar longas áreas e, para isso, criam uma estratégia de enriquecimento contínuo do solo.
“É uma atividade que vem se desenvolvendo de pai para filho, de filhos para neto. Então, nosso curso é justamente para evitar essa atividade de derruba e queima”, explica Alaílson Souza Rêgo, engenheiro agrônomo.
“A gente plantou a macaxeira, o milho, o feijão de porco, que é uma leguminosa, que é justamente para incorporar matéria orgânica e fazer o trabalho de adubação, fixar nitrogênio no solo”.
O projeto ensina os pequenos agricultores da Resex Tapajós-Arapiuns a plantar uma maior variedade de alimentos ao mesmo tempo e fazer com que a produção seja mais duradoura na mesma área, evitando assim novos focos de desmatamento.
Projeto ensina a produzir e manter a área própria para plantação por mais tempo
Marcelo Brandt/G1
Além disso, a ONG Saúde e Alegria também tem um projeto para criação de mudas de reflorestamento. O engenheiro florestal Steve Mcqueen coordena a produção do viveiro:
“A gente mostra que na floresta não existe só a madeira. Tem animais, produtos florestais não madeireiros, e é nesse intuito que a gente vem para reforçar o poder que a floresta tem. Daí vem a importância da criação desse viveiro, é um viveiro que pode alimentar, pode gerar renda e dar oportunidade”, explica.
Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns
Marcelo Brandt/G1

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