Especialista que atua no Caribe capacita mergulhadores para capturar peixe invasor venenoso em Fernando de Noronha


Moradores da ilha também participaram do treinamento com o biólogo brasileiro Paulo Bertuol, que trabalha no Parque Nacional Marinho de Bonaire. Peixe-leão é venenoso
Fábio Borges/Acervo pessoal
Mergulhadores e moradores de Fernando de Noronha participaram de um treinamento sobre o peixe-leão, espécie invasora e venenosa encontrada na ilha. A capacitação foi realizada pelo biólogo brasileiro Paulo Bertuol, que trabalha no Parque Nacional Marinho de Bonaire, no Caribe, local onde o animal foi identificado em 2009.
Entenda riscos oferecidos pelo peixe-leão
Infográfico detalha animal invasor venenoso
Segundo o especialista, é possível dizer que existe uma invasão da espécie em Fernando de Noronha.
“Eu acredito que há uma invasão porque existem locais não explorados pelo mergulho. Nesses lugares há uma grande possibilidade de existir o peixe-leão”, afirmou.
As palestras e os exercícios práticos no mar aconteceram até o domingo (17) em Fernando de Noronha (veja detalhes do treinamento mais abaixo). O especialista visitou a ilha a convite do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).
Mergulhadores participaram do treinamento
ICMBio/Divulgação
Em Noronha, foram capturados 13 peixes-leão. A última captura ocorreu no dia 14 de outubro e foi feita pela equipe da operadora Águas Claras, que recolheu o animal com vida e o entregou ao ICMBio.
Segundo pesquisadores, o peixe-leão oferece riscos ao meio ambiente e pode causar desequilíbrio ecológico. O animal, que tem nome científico Pterois volitans, pode consumir espécies endêmicas, que só existem na região da ilha.
Peixe-leão foi capturado vivo na ilha
Dayvson Reis/Acervo pessoal
A primeira captura do peixe-leão em Noronha aconteceu em dezembro de 2020. Esses animais voltaram a ser vistos na ilha no segundo semestre de 2021, com um deles sendo recolhido em julho. Em agosto, foram três animais capturados. No mês de setembro, houve a captura de sete peixes-leão.
Treinamento
Durante o treinamento, o biólogo Paulo Bertuol apresentou um histórico da captura do animal no Caribe e as ações desenvolvidas naquele local, além de fazer comparações com a situação atual de Noronha.
Peixe-leão capturado em Fernando de Noronha no dia 14 de outubro
Dayvson Reis/Acervo pessoal
Além disso, o especialista indicou as melhores formas de fazer a captura do peixe invasor e os cuidados necessários para evitar ser atingido por um dos espinhos do animal. Paulo, inclusive, já precisou de atendimento médico por causa do peixe-leão.
O biólogo explicou que é preciso utilizar o arpão em tiros certeiros, para evitar depredar corais. Ele sugeriu uma aproximação lenta do animal e recomendou nunca utilizar o peixe-leão para alimentar outras espécies.
Paulo Bertuol falou do trabalho realizado no Caribe
Ana Clara Marinho/TV Globo
O profissional também avaliou os trabalhos de controle do animal realizados em Noronha, que incluem desde capacitação até a coleta realizada pos profissionais de mergulho.
“Em Fernando de Noronha, eu vejo de forma muito positiva as ações desenvolvidas com a participação das operadoras de mergulho, dos moradores e os trabalhos do ICMBio. O órgão conseguiu atuar rapidamente e realizar um plano de controle”, declarou.
Os participantes da capacitação a consideraram importante. “Esse treinamento vai ajudar nessa nova demanda que encontramos na ilha. Eu não tive a oportunidade de capturar o peixe-leão, mas, se for necessário, estou capacitado. As informações recebidas vão ajudar”, disse o instrutor de mergulho José Alfredo Neto.
Mergulhadores e moradores participaram do treinamento
Ana Clara Marinho/TV Globo
O mergulhador e fotógrafo Fábio Borges também participou do treinamento. Ele, que já fez capturas desse peixe em mergulhos no exterior, contou que a capacitação possibilitou ampliar o seu conhecimento.
“Recebemos informações importantes de situações que podemos esperar em Noronha. Acredito que podemos planejar as ações e prevenir que a situação se alastre muito na ilha”, disse Fábio.
A direção do ICMBio montou etapas de monitoramento para o controle do peixe-leão em Noronha. “É possível ter um ambiente controlado, mas não acredito que seja possível eliminar a espécie na ilha”, declarou a chefe do ICMBio em Noronha, Carla Guaitanele.
Peixe-leão
Arte/G1
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“Em Fernando de Noronha eu vejo de forma muito positiva as ações desenvolvidas com a participação das operadoras de mergulho, dos moradores e os trabalhos do ICMBio. O órgão que rapidamente conseguiu atualizar e conseguiu realizar um plano de controle”, declarou.
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