Cerca de 1,5 mil golfinhos são alvo de caçada nas Ilhas Faroé; ONG denuncia massacre com imagens fortes


Pesca em massa é uma tradição, criada no século 16, que consiste em arrastar os animais para a praia, onde são mortos a facadas para que sua carne e gordura sejam distribuídas para a população. Imagens divulgadas pela Sea Shepherd Conservation Society mostram matança de golfinhos nas Ilhas Faroé, no Atlântico Norte.
Sea Shepherd Conservation Society/via AP
O massacre de 1.428 golfinho-de-laterais-brancas durante uma caçada tradicional reacendeu um debate nas Ilhas Faroé, um arquipélago da Dinamarca localizado no Atlântico Norte. Todos os anos, os habitantes locais arrastam os animais para a praia, onde são mortos a facadas para que sua carne e gordura sejam distribuídas para a população.
ATENÇÃO: abaixo, esta reportagem reproduz outras imagens fortes da matança. Elas foram divulgadas como alerta pela ONG Sea Shepherd Conservation Society.
A caça nas ilhas do Atlântico Norte é autorizada e não visa fins comerciais, mas ainda assim ativistas ambientais alegam ser algo cruel. A caça aos golfinhos e baleia faz parte de uma tradição criada no século 16.
Segundo a tradição, os animais – principalmente baleias-piloto – são arrastadas até a praia para serem mortos a facadas. Um gancho é usado para prender as baleias encalhadas, enquanto elas têm a coluna e artéria principal cortadas com facas.
Ambientalistas dizem que 1.428 animais foram mortos no local, que é um ponto tradicional de caça, pois as águas rasas da enseada são usados para encurralar os animais.
Sea Shepherd Conservation Society/via AP
Apesar da tradição, os golfinhos do lado branco e as baleias-piloto não são espécies ameaçadas de extinção.
Após o último evento, mesmo as pessoas que defendem a caça dos golfinhos temem que a quantidade de animais mortos, muito superior ao ano anterior, traga uma atenção indesejada para a tradição local.
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No ano passado, 35 golfinhos foram mortos em comparação com os quase 1.500 animais deste ano.
Imagens divulgadas pela Sea Shepherd Conservation Society mostram matança de golfinhos nas Ilhas Faroé.
Sea Shepherd Conservation Society/via AP
Tradição em risco?
Heri Petersen, chefe de um grupo que caça baleias-piloto no centro das Ilhas Faroé, onde as mortes ocorreram no final de semana, disse que não foi informado do incidente. Peterson disse ao site de notícias in.fo. que na ocasião havia muitos golfinhos e poucas pessoas na praia para matá-los.
Anualmente, os moradores das Ilhas Faroé matam cerca de 1.000 mamíferos marinhos, incluindo as baleias-piloto e os golfinho-de-laterais-brancas.
Imagens divulgadas pela Sea Shepherd Conservation Society mostram matança de golfinhos nas Ilhas Faroé.
Sea Shepherd Conservation Society/via AP
Olavur Sjurdarberg, presidente da Pilot Whale Hunting Association, teme que a discussão reacenda e lance uma luz negativa sobre a tradição realizada pelas 18 ilhas rochosas situadas entre a Islândia e a Escócia.
“Precisamos ter em mente que não estamos sozinhos na terra. Pelo contrário, o mundo se tornou muito menor hoje, com todos andando por aí com uma câmera no bolso ”, disse Sjurdarberg à emissora local KVF. “Esta é uma situação perfeita para aqueles que querem que nós (pareçamos maus) quando se trata de captura de baleias-piloto.”
O Ministro das Pescas das Ilhas Faroé, Jacob Vestergaard, disse à estação de rádio local Kringvarp Foeroya que tudo foi feito de acordo com as regras da caça aos golfinhos.
Durante anos, a Sea Shepherd Conservation Society, sediada em Seattle, se opõe a caça dos mamíferos aquáticos. Em uma publicação no Facebook, a organização descreveu os eventos do fim de semana como “caça ilegal”.
Atividade legal
A Convenção sobre a Vida Selvagem e os Habitats Naturais da Europa, em vigor desde 1982, classifica as baleias-piloto e todos os cetáceos, o que inclui os golfinhos, como “estritamente protegidos” sem permissão para o abate.
Apesar disso e dos protestos de ambientalistas, o abate dos animais não é ilegal nas Ilhas Faroé. Isso ocorre porque o arquipélago não é membro da União Europeia, apenas se remete politicamente à Dinamarca, que controla a defesa, a política externa e a moeda. Segundo a organização Sea Shepherd, a principal razão para as Ilhas não se juntarem à UE é manter a atividade pesqueira.
Matança de golfinhos nas Ilhas Faroé, no Atlântico Norte, na Dinamarca.
Sea Shepherd Conservation Society/via AP
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