Aves migratórias contaminadas com substância oleosa são encontradas no litoral de Sergipe


Das 353 aves capturadas para análise, 12 delas apareceram com manchas de óleo na pata. Aves migratórias contaminadas com substância oleosa são encontradas no litoral de Sergipe
Governo de Sergipe/Divulgação
Aves migratórias do Hemisfério Norte que utilizam a Ilha da Sogra, no município de Estância (SE), como rota para alimentação e reprodução, foram atingidas pela substância oleosa que que já atingiu mais de 300 locais no Nordeste. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (7) pelo Governo de Sergipe.
Foram capturadas 353 aves para a pesquisa e nelas na foz do Rio Real, que faz a fronteira dos estados da Bahia e Sergipe. A análise foi feita por estudantes de veterinária da Universidade Federal da Bahia, em parceria com a Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Serhma), para fornecer subsídio científico para a conservação da Área de Proteção Ambiental Litoral Sul (Apa-Sul).
Aves migratórias contaminadas com substância oleosa são encontradas no litoral de Sergipe
Governo de Sergipe/Divulgação
O trabalho realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Sedurbs) em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), aconteceu nos três primeiros dias de novembro, em duas campanhas noturnas na APA Sul, em Sergipe, e na APA de Mangue Seco, Bahia.
“Se uma grande quantidade de óleo chegasse aos bancos de areia poderia causar a morte de centenas de aves, uma vez que elas seriam impregnadas de óleo. A nossa pesquisa mostrou que das 353 aves que receberam a anilha de monitoramento, apenas 12 apareceram com manchas de óleo na pata, provenientes de pequenas manchas depositadas em bancos de areia, indicando que os pássaros não estão sendo impregnados em alto mar durante suas atividades de pesca”, disse o biólogo e gestor da APA Sul, Paulo César Umbelino.
Santuário
A APA Sul é um santuário para as aves migratórias, rico em espécies de aves que pertencem a três famílias e 35 espécies. Possui o ecossistema mais frágil do Litoral Sul de Sergipe e atualmente abriga três espécies ameaçadas de extinção, além de servir de abrigo para mais de cem mil aves.
“Para se ter uma ideia da importância desse local é só fazer um comparativo com Abrolhos, na Bahia, ambos têm a mesma função de preservação. Aqui nós abrigamos mais de 10 mil aves migratórias com destaque para a Sterna dougalli, que está na lista das aves em extinção na América do Norte e Brasil. Até o momento existe um baixo índice de manchas de petróleo nas aves migratórias da Ilha da Sogra, estamos felizes com o resultado da pesquisa, a campanha foi um sucesso. Estamos contribuindo para sua conservação dessas aves”, contou o biólogo.
Análise da água em Aracaju
Professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) realizaram, na manhã desta terça-feira (5), uma coleta de água no Rio Vaza Barris, em Aracaju. O trabalho faz parte da etapa inicial de coletas para análise da qualidade da água, dos sedimentos e da fauna dos estuários sergipanos, que foram atingidos por manchas de óleo. Somente em Sergipe foram recolhidas mais de 1.200 toneladas da substância, que atingiu mais de 300 locais no Nordeste.
“É um monitoramento inicial para identificar o quanto possivelmente esse óleo tem contribuído para alteração dos recursos naturais aqui no estado. São vários laboratórios unidos para esse trabalho”, disse o químico da UFS, Silvânio Silvério Lopes da Costa.
Segundo o diretor-presidente da Administração Estadual de Meio Ambiente (Adema), Gilvan Dantas, o óleo continua chegando no litoral sergipano. “Toda a extensão de Aracaju ao Litoral Sul está sendo reiteradamente tocada por essa substância. No último levantamento, foi contabiliza a retirada de pouco mais de 1.200 toneladas de óleo”, falou.
A previsão é que as análises sejam concluídas em 15 dias contados a partir do final do processo de coleta.
Reforço no combate as manchas
Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância
Jorge Luiz/TV Sergipe/Arquivo
Em Aracaju, o trabalho de limpeza das praias ganhou o reforço do Exército Brasileiro e do 28º Batalhão de Caçadores (28º BC) desde o dia 27 de outubro.
O grupo trabalha com equipamentos básicos para recolhimento de produto tóxico, luvas reforçadas de silicone, máscaras e sacos de lixo, também reforçados, para evitar vazamentos do óleo.
Novas manchas
28 de outubro: Óleo na Praia Formosa, em Aracaju
Kedma Ferr/TV Sergipe
No final de outubro, as manchas continuaram sendo encontradas na Praia Formosa, em Aracaju.
No dia 26, a substância voltou às praias da Cinelândia e Atalaia, também na capital. Diante do desastre ambiental, o projeto Praia Limpa, que existe em Sergipe há mais de um ano, mobilizou muitos voluntários pelas redes sociais e atraiu dezenas de pessoas. Como o petróleo cru é tóxico e o odor é forte, todos tiveram de usar equipamentos de proteção individual com luvas de silicone e máscaras.
Movimento Praia Limpa, em Aracaju
Cléverton Macedo/TV Sergipe/Arquivo
Uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju também se somou e trouxe alguns equipamentos de proteção para distribuir com os voluntários.
Carta à sociedade
No dia 25 de outubro, em Aracaju, uma carta à sociedade brasileira relatando o impacto do derramamento de óleo no litoral nordestino. O documento foi elaborado por representantes de mais de 80 comunidades, que dependem diretamente ou não com a pesca.
O assunto foi tema de uma audiência pública organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), através da Comissão de Direitos Humanos, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).
Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu
Adema/SE/Arquivo
impacto da tragédia ambiental em Sergipe atingiu também quem depende das vendas da mangaba, fruta tradicional do estado, que usualmente é comercializada à beira das estradas que cortam o litoral sergipano. “Houve uma queda muito grande na venda da mangaba, inclusive dos derivados da fruta”, disse Alicia Morais, coordenadora das mangueiras de Sergipe, que representa cerca de 3 mil famílias.
Ampliação do pagamento do defeso
O presidente da República em exercício, Davi Alcolumbre, assinou um decreto da tarde da quinta-feira (24), durante visita a Aracaju, que determina ampliação do pagamento do auxílio defeso, destinado aos pescadores das localidades afetadas pelas manchas de óleo no litoral sergipano. O anúncio foi realizado durante uma reunião com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), e representantes dos órgãos que atuam no combate ao avanço do óleo.
Aplicação de recursos federais
Após liberação de recursos do governo federal no valor de R$ 2,5 milhões representantes da Adema, Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional se reuniram, na manhã da terça-feira (22), para discutir como empregar o dinheiro. O encontro foi realizado na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do Estado (Sedurbs), em Aracaju.
Com o recurso, entre as medidas a serem adotadas está a contratação de uma empresa para limpeza dos locais atingidos pelo óleo. Além da disponibilização de 500 kits com luvas, óculos, sacos plásticos, e outros equipamentos de proteção individual que devem chegar ao estado ainda esta semana.
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