Emprego: melhora, mas…


Se alguém lhe disser que no trimestre de junho/agosto o número de empregados aumentou em 1 milhão e 200 mil e que, nesse ritmo, em um ano, teríamos quase cinco milhões a mais de pessoas empregadas…
Se, além disso, alguém lhe disser que, no mesmo período, o número de pessoas desempregadas diminuiu em 529 mil e que, em um ano, nesse mesmo ritmo, seriam dois milhões a menos, você poderia até ficar com a impressão de uma robusta melhora no mercado de trabalho.
Esses números constam da Pnad contínua referente ao trimestre junho/agosto divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela registra que a taxa de desemprego caiu de 12,7% no trimestre anterior para 12,1%.
O desemprego era de apenas 6,5% no trimestre encerrado em dezembro de 2014. Subiu de forma avassaladora a partir de janeiro de 2015 até atingir o pico de 13,7% no trimestre encerrado em março de 2017. Mais que dobrou nesse período, refletindo o mergulho recessivo de quase 8% no biênio 2015/2016.
A taxa começa a cair no trimestre fevereiro/abril de 2017, quando atingiu 13,6%, até chegar aos 12,1% divulgados nesta sexta pelo IBGE. Melhorou. Mas…
O que justifica o “mas”:
o número de desempregados ainda é de 12,7 milhões de trabalhadores.
a população subutilizada (desempregados, mais aqueles que deixaram de procurar emprego porque perderam a esperança de encontrar, mais aqueles que gostariam de trabalhar mais horas por dia) é de 27,5 milhões de pessoas.
o rendimento médio não piorou, mas também não melhorou.
o número de trabalhadores com carteira assinada e sem carteira assinada permaneceu estável na comparação com o trimestre anterior.
Dados que retratam um quadro ainda muito precário do mercado de trabalho.
O que a série histórica do IBGE sugere é que, a partir de 2015, quando as empresas perceberam que a gestão da economia estava irremediavelmente desandando, elas fizeram um ajuste radical no quadro de funcionários, fazendo com que a taxa de desemprego subisse aceleradamente.
Talvez isso explique porque, mesmo com anêmico crescimento de 1% do ano passado e expectativa não muito diferente para este ano, a taxa de desemprego vem diminuindo. O quadro de pessoal ficou tão enxuto que qualquer aumento de demanda exige algum tipo de contratação.

Editoria de Arte / G1

https://g1.globo.com/economia

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