Telefônica vai antecipar pagamento de R$ 3,8 milhões a terceirizada para quitar salários atrasados

Oito mil funcionários de call center da Vikstar atendem a Vivo A Telefônica, dona da marca Vivo, se comprometeu a pagar à operadora de telemarketing Vikstar R$ 3,85 milhões, amanhã, para quitar salários atrasados de mais de 8 mil funcionários de call center da empresa terceirizada que atendem a Vivo.

Essa parcela de pagamento à Vikstar venceria no dia 18 de abril. A Telefônica concordou em antecipá-la se a Vikstar efetuar ainda nesta terça-feira 60% do pagamento dos funcionários que está atrasado desde 7 de abril. Se o pagamento for confirmado, a dona da Vivo deposita os R$ 3,85 amanhã. O valor deve ser empregado integralmente na folha de pagamentos, e não para outras contas da empresa.

O entendimento foi acertado durante reunião de conciliação hoje entre as duas companhias, intermediado pela Superintendência Regional do Trabalho no Paraná, e é válido para os funcionários de todas as unidades da terceirizada que atendem a Telefônica no Brasil — Votuporanga e Itaquera, em São Paulo; Londrina, no Paraná; e Terezina, no Piauí. A Vikstar fez o acordo com a superintendência e depositaria o pagamento hoje, conforme apurou o Valor.

Trata-se de um litígio envolvendo as duas companhias. A operação da Vikstar era praticamente dedicada à Telefônica, mas essa companhia rescindiu o contrato em 18 de março. O último pagamento venceria no dia 18 de abril, disse a Telefônica, negando que haja outros débitos pendentes.

Para justificar o atraso na folha, a Vikstar teria argumentado que não recebeu o repasse da Vivo.

Marco Aurélio Coelho de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing (Sintratel) em São Paulo, está realizando neste momento uma assembleia com a categoria, para que votem pela realização ou não de uma greve. Só em São Paulo são cerca de 2 mil funcionários. O sindicalista se reuniu com a Telefônica ontem, que teria lhe dito para formalizar um pedido no Tribunal Regional do Trabalho para que o juiz buscasse uma solução.

De acordo com o sindicalista, as disputas entre as duas empresas eram recorrentes e vinham acontecendo desde 2019. Citou, inclusive, que a terceirizada tinha problemas trabalhistas e chegou a ser levada à Justiça pelo sindicato.

A Telefônica informou que “o contrato de prestação de serviços com a Vikstar foi encerrado por questões relacionadas à deterioração financeira da Vikstar, que poderiam afetar a operação e qualidade do atendimento aos clientes da Telefônica”.

A companhia acrescentou que para evitar qualquer impacto no serviço, continuará o atendimento aos clientes por meio de outras posições de call center próprios e de terceiros. Afirmou ainda que vai contribuir para a recolocação dos funcionários da terceirizada.

O Valor apurou que apesar desse entendimento, a Vikstar ainda quer negociar a “questão contratual” com a Telefônica. Com cerca de 20 anos no mercado, a Vikstar não teria intenção de fechar a empresa. Possui uma estrutura grande de call center que pode ser usada para reiniciar outro negócio. Se isso não der certo, venderá os equipamentos.

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