Senadores democratas pedem a Biden para só repassar dinheiro ao Brasil se desmatamento diminuir


Carta é revelada às vésperas de cúpula convocada pelos EUA para discutir clima; parlamentares dizem que, se ritmo não recuar, não aprovarão pedido do país para entrar na OCDE Um grupo de senadores democratas enviou nesta sexta-feira uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para reclamar da falta de medidas adotadas pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para preservar o meio ambiente.

No documento, os senadores do partido de Biden pedem que o presidente americano condicione qualquer repasse de dinheiro para apoiar a preservação da Amazônia a um progresso significativo na redução do desmatamento.

A carta, obtida pela agência Associated Press, foi assinada por 15 senadores democratas, entre eles Bob Menendez, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, que disputaram as primárias presidenciais do partido.

O documento foi revelado poucos dias antes de uma cúpula convocada por Biden para discutir o clima. Bolsonaro foi convidado para o evento, que também terá a presença de outros líderes mundiais.

“A retórica e as políticas do presidente Bolsonaro efetivamente deram luz verde aos perigosos criminosos que operam na Amazônia, permitindo-lhes expandir dramaticamente suas atividades”, escreveram os senadores na carta, citando relatórios recentes da Human Rights Watch.

Na avaliação dos senadores democratas, uma parceria entre os dois países só pode ser possível se “o governo Bolsonaro começar a levar a sério os compromissos climáticos do Brasil — e só se proteger, der apoio e se engajar significativamente com os brasileiros que podem ajudar o país a honrar esses compromissos”.

Os senadores democratas também afirmam na carta que, se o ritmo do desmatamento não melhorar, não aprovarão o pedido brasileiro para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um dos principais objetivos de política externa de Bolsonaro.

Na campanha à presidência, Biden chegou a propor que a comunidade internacional repasse US$ 20 bilhões ao Brasil para combater o desmatamento e disse que o país poderia sofrer consequências se não protegesse a Amazônia. Na época, Bolsonaro, declaradamente apoiador de Donald Trump, criticou os comentários do democrata.

As negociações bilaterais com o Brasil sobre o meio ambiente começaram no dia 17 de fevereiro, lideradas pelo enviado especial para o clima de Biden, John Kerry. Os dois países têm realizado reuniões técnicas regulares antes da cúpula que será realizada na próxima semana.

AP Photo/Victor R. Caivano

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