Renner vê melhora em vendas, mas mercado questiona margem; ação cai 1,61%


“Poderemos ter margens próximas às que tivemos nos melhores momentos”, disse Fabio Faccio A Lojas Renner verificou o que chama de “volatilidade positiva” nas vendas em abril e maio, com uma “velocidade mais adequada” na redução de estoques, disse nesta sexta-feira a analistas Fabio Faccio, presidente da empresa – sinalizando, portanto, uma retomada mais acelerada na demanda no segundo trimestre.
Apesar dessas perspectivas, analistas fizeram perguntas, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, sobre projeções e a piora na rentabilidade neste ano.
“As expectativas são positivas pela qualidade de nosso estoque, porque estamos hoje com estoque mais adequado, o que nos leva a crer que teremos ‘markdowns’ [remarcações] menores. E não devemos, com isso, guardar coleção [para venda futura]. Apesar da pressão de inflação, câmbio e dos frete internacionais, com esse cenário mais positivo, poderemos ter margens próximas a do ano de 2019 e dos patamares que tivemos em nossos melhores momentos”, disse Faccio.

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O diretor financeiro, Alvaro de Azevedo, informou que o segundo e terceiro trimestres estão com coleções já hedgeadas, para se proteger de eventuais novos aumentos do dólar – a empresa compra coleções cotadas em moeda americana. “No primeiro trimestre houve uma pressão de câmbio e inflação, mas há expectativa de melhora contínua nisso”, disse.
Questionada por analista sobre mudanças de perfil de compra, a Renner informou que houve aumento de demanda em categorias que tinham perdido força em 2020.
“Itens que não são só para conforto estão indo bem novamente, um pouco talvez pelo Dia das Mães e pela volta às aulas. Mas as linhas mais confortáveis continuam com bom desempenho também”, afirmou Azevedo.
A Renner deve abrir de 20 a 25 lojas da marca em 2021 e espera elevar esse número adiante, em parte com os recursos da recente oferta de ações. Projeta algo entre 25 e 30 lojas, no mínimo, de 2022 a 2025, num esforço de voltar a reabrir mais lojas passada a pandemia.
O comando ainda esclareceu a questão do uso do capital da oferta, de R$ 4 bilhões, concluída em abril. Disse que serão 12 a 18 meses para uso dos recursos e que não há tratativas ou diligências de compras de negócios hoje, disse o presidente, ressaltando que os recursos entraram em caixa na semana passada. Há uma aceleração dos planos no digital, por conta dessa entrada de capital.
A rede ainda informou que o plano de um “marketplace” (shopping virtual) com lojistas na plataforma foi antecipado por causa dos recursos da oferta.
Semanas atrás, circularam informações na imprensa de que Renner teria interesse na Dafiti, mas a empresa negou. O Valor noticiou que a Dafiti sondou varejistas neste ano, mas não houve negociação.
A Renner deve usar parte dos recursos para expansão orgânica e eventual aquisição de pequenas operações, como startups, que podem auxiliar no seu braço digital.
A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 147,7 milhões no primeiro trimestre de 2021, ante um resultado positivo de R$ 7,1 milhões em igual trimestre de 2020. A receita líquida com venda de mercadorias caiu 12%, para R$ 1,3 bilhão. A margem bruta de varejo caiu 3,3 pontos, para 52,1%. A margem Ebitda foi negativa em 12,6%, queda de 18 pontos. A ação da empresa cai 1,61% na B3, negociada a R$ 43,41.
“Esta redução foi consequência basicamente do decréscimo das vendas, impactadas pelo fechamento temporário de lojas, ocasionando desalavancagem operacional”, disse a rede no balanço.

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