Qual o impacto da crise em Manaus para o governo Bolsonaro e a agenda fiscal?


Em 60 segundos, diretor da Eurasia Group analisa que presidente ainda está longe de perder seu mandato, apesar da queda em sua taxa de aprovação e clamor maior pelo impeachment ’60 segundos’ é uma parceria entre o site da revista ÉPOCA e a GZERO Media – empresa da Eurasia Group, especializada em análises políticas. Toda sexta-feira, às 10h, Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, apresenta sua avaliação sobre os temas mais relevantes e tendências do cenário político brasileiro e internacional. O conteúdo é republicado neste canal.
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2020 encerrou já com um agravamento da pandemia, mas o governo não apresentou um plano B caso fosse necessário retroceder no processo de reabertura da economia e interromper a recuperação consistente que a economia apresentou no segundo semestre do ano que passou. Apesar de o governo ter tentado redesenhar o Bolsa Família, ampliando seu escopo, para compensar parcialmente o fim do auxílio emergencial, iniciamos o ano sem nenhuma proposta concreta. A falta de espaço dentro do orçamento público, limitado pelo teto de gastos, torna essa tarefa atrelada ao avanço da agenda de reformas fiscais que leve a um crescimento mais comedido dos gastos públicos.
O forte crescimento do contágio e dos óbitos e o risco de novos “lockdowns” trarão de volta a discussão sobre a necessidade de assistir as pessoas que venham a ficar impossibilitadas de trabalhar e obter renda, caso esse cenário se concretize. Esse é um risco que existe. Hoje parece que o montante pago pelo auxílio emergencial em 2020 mais do que compensou a queda de rendimentos e, considerando que já observamos alguma recuperação do emprego, um novo benefício, se houver, deveria atender um número muito menor de pessoas e pagar um valor bem abaixo dos R$ 600,00. Ainda assim, o espaço dentro do teto de gastos é insuficiente. A alternativa seria mais uma vez decretar algum tipo de excepcionalidade, permitindo crédito extraordinário para o pagamento de mais algumas poucas parcelas. A sinalização de que esses pagamentos serão temporários será crível se atrelados ao avanço de reformas ou até mesmo à evolução da vacinação em território nacional. Essa sinalização, caso esse cenário de risco se materialize, será extremamente importante para evitar a deterioração da percepção de riscos.

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