Preços administrados têm em 2020 menor taxa de inflação em sete anos, diz IBGE


Movimento de represamento de reajustes, em meio à crise causada pela covid-19, levou ao resultado
Dado Galdieri/Bloomberg
A inflação de preços administrados observada no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encerrou 2020 com alta de 2,63%. Além de inferior à de 2019 (5,54%), foi o menor resultado desde 2013 (1,55%) informou o economista André Almeida, do IBGE. Um movimento de represamento de reajustes em preços administrados, em meio à crise na economia causada pelo avanço da covid-19 desde meados de março de 2020, levou ao resultado, afirmou ele.

O técnico do IBGE comentou que, com a crise, vários aumentos de preços foram colocados em compasso de espera. Isso porque houve menor ritmo de renda do brasileiro, devido à crise, com aumento de desemprego e menor cadência de abertura de vagas no mercado de trabalho. “Um dos maiores exemplos é plano de saúde, que em 2019 subiu 8,24% e em 2020 subiu 2,44%” pontuou ele.

Outras desacelerações de preços expressivas e até mesmo queda, entre 2019 e 2020, foram observadas em taxa de água e esgoto (de 7,05% para 2,58%); gás encanado (de 15,89% para -1,29%); gasolina (de 4,03% para -0,19%); óleo diesel (de 5,85% para -3,30%) e ônibus urbano (de 6,64% para 1,32%). No caso da gasolina, notou que as quedas foram intensas no início da pandemia, que levaram o produto a encerrar o ano de 2020 em baixa.

Ao ser questionado se, pela lógica, os preços administrados cujos reajustes foram represados em 2020 seriam uma pressão inflacionária mais intensa em 2021, visto que esse ano teriam aumentos que não foram realizados referentes ao ano passado, o técnico foi cauteloso. Ele admitiu que, no caso de plano de saúde, já ocorre notícia de reajuste autorizado este ano.
“Nós temos que aguardar para ver. Alguns preços e itens têm comportamentos diferentes de influências diferentes” disse, observando como exemplo a gasolina, cujos reajustes são influenciados pela cotação de petróleo no mercado internacional. “Mas de fato alguns reajustes que não foram incorporados em 2020 vão exercer pressão [inflacionária] em 2021”, afirmou ele.

Na margem, a inflação de preços administrados já começa a subir. De novembro para dezembro no IPCA, a taxa de preços administrados acelerou de 0,41% para 2,04%, pressionada por aumentos em taxa de água e esgoto (0,10%); gás de botijão (1,99%); gás encanado (0,23%) e energia elétrica residencial (9,34%). A gasolina, por sua vez, não opera mais em queda e ficou 1,54% mais cara no mês – bem como o óleo diesel, com alta de 1,54% em dezembro de 2020.

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