O que faço se todos ao meu redor são promovidos e eu não?


O colunista Marco Tulio Zanini responde como lidar com esse tipo de situação Promoção na carreira: a vida em sociedade é política, defende colunista
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“Tenho formações relevantes para a empresa e já passei pela situação de treinar colegas de trabalho, ensinar como funciona determinado programa ou como se analisam certos dados do sistema. No final, esses colegas são promovidos para funções que sempre almejei. A falta de valorização pode ser uma das situações mais difíceis de serem vividas. Existem dias que você acorda indisposto, triste, pensando: ‘Será que estou fazendo algo de errado? Será que fiz algo que deixou alguém chateado comigo? Será que é algum preconceito à minha pessoa?’. Fazemos alguns sacrifícios na vida esperando colher os frutos, mas esses frutos nunca amadurecem. Será que valeu a pena? Como lidar com essa situação?”
Engenheiro civil
Prezado engenheiro civil, olhe a sua volta e tente fazer um mapa mental da situação. Por que será que alguns estão sendo promovidos e outros não? Por que será que você está preso às funções técnicas? Eu tenho uma hipótese, embora não conheça seu caso pessoalmente. Há pessoas que estudam muito. Que são muito boas no que fazem. Que são minuciosas. Detalhistas. Tecnicamente perfeitas. E esperam, em silêncio, o reconhecimento pela beleza do que fazem. Mas a vida em sociedade é política. Sempre. Em qualquer lugar. Isso faz parte da natureza humana.
Vale a pena investir em uma faculdade após a outra?
As pessoas precisam de excelentes técnicos que façam diligentemente o seu trabalho e ajudem aos colegas. Mas precisam mais ainda de aliados. De vínculos. De alguém em quem possam confiar para lidar com a competição e com as resistências nas suas equipes. De alguém com apetite por desafios. Por enfrentar problemas relativos às pessoas. Que sejam hábeis na micropolítica das relações cotidianas.
Quando eu faço a orientação dos meus alunos, eu sempre lhes digo uma coisa: os bons cargos estão sempre ocupados. E há fila aguardando por eles. Toda organização é uma estrutura racional, técnica, social e política. E não importa quão sólidas sejam as estruturas. Você como engenheiro sabe disso. A água se infiltra. Então seja a água. Ocupe os pequenos espaços nessas teias políticas. Olhe para a organização como de fato ela é: um sistema sociotécnico. O “socio” não vem antes nessa palavra a troco de nada.
Divã Executivo: o que faço se o chefe esconde meu trabalho?
Há uma tendência que observamos, nós que estamos há muitos anos no mundo acadêmico, que dificilmente são os melhores alunos que ao longo dos anos ocupam as melhores posições na vida. Os melhores alunos são os que se tornam os melhores técnicos. Mas muitas vezes o fazem menos por paixão e mais para não ter que enfrentar os desafios da vida em sociedade. Se sentem vulneráveis à natureza humana. Os alunos médios, que tiram as notas entre 7,00 e 8,00 tendem a ser os que mais se destacam. Não os que tiram 9,00 e 10,00. Não é raro vermos o nosso antigo malandrão bem na vida.
Muitas vezes esses, que não estavam aprendendo o que estávamos ensinando, eram os que estavam praticando as artes de liderança e políticas. São mais carismáticos. Conseguem trazer pessoas para perto. E conseguem coordená-las para chegar a objetivos desejados. Pense nisso. Essas habilidades podem ser desenvolvidas. Busque liderar em busca de soluções para dificuldades existentes. Valorize-se. Busque formas de mostrar o seu trabalho. E não se esqueça que marketing e propaganda funcionam. Talvez seja esse o desafio que a vida está te colocando agora. Boa sorte!
Marco Tulio Zanini é professor e coordenador do mestrado executivo em gestão empresarial da FGV e consultor da Symballein
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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.
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