Light (LIGT3): oferta pública de 137,2 milhões em ações ordinárias da empresa é positiva, indica Safra


Especialistas do Safra, no entanto, ressaltam importância de um plano de recuperação mais detalhado da companhia. Oferta é restrita a atuais acionistas da Light De acordo com relatório do Safra, o preço indicativo da transação é de R$ 23,48 por ação, totalizando R$ 3,2 bilhões
iStock
A Light (LIGT3) anunciou na última semana que seu conselho de administração aprovou a realização de oferta pública de 137,2 milhões ações ordinárias, metade por meio de uma oferta primária (na qual o dinheiro levantado entra no caixa da empresa) e metade por meio de uma oferta secundária — a partir da qual a Cemig (CMIG4), a maior acionista da companhia, com 22,58% de participação, venderá todas as suas ações na Light.
Na avaliação da Safra Corretora, “o desinvestimento da participação da Cemig é positivo, pois completa a retirada gradual da empresa e elimina qualquer possível risco de interferência na gestão da Light”. Os analistas consideram a operação uma iniciativa positiva dos novos membros do Conselho de Administração da Light.
“No entanto, o plano de recuperação da empresa ainda não está claro para nós, e gostaríamos de ver uma estratégia mais detalhada para os rendimentos desta oferta”, diz relatório assinado por Daniel Travitzky.
De acordo com o documento, o preço indicativo da transação é de R$ 23,48 por ação, totalizando R$ 3,2 bilhões, sujeito a alterações ao longo do bookbuilding (processo de lançamento e precificação de novos ativos no mercado). A Light (LIGT3) receberia apenas a participação relativa à oferta primária, ou seja, R$ 1,6 bilhão. A oferta secundária está relacionada à alienação da totalidade da participação da Cemig no bloco de controle da Light (LIGT3).
Segundo o Safra, o follow-on (emissão secundária de ações) está sujeito à aprovação do conselho de administração. A oferta é restrita a atuais acionistas da Light (LIGT3), que também contarão com prazo prioritário de subscrição; e a investidores institucionais. O período prioritário de subscrição é de 11 a 15 de janeiro de 2021. A precificação da oferta acontecerá no dia 19 de janeiro de 2021, e os recursos captados deverão ser utilizados para fortalecer a estrutura de capital da empresa.
O especialistas do Safra apontam que os rendimentos declarados do follow-on visam reforços da estrutura de capital, o que implica na redução da alavancagem da empresa, hoje em 2,4 vezes a dívida líquida sobre o LTM Ebitda (somatório dos últimos 12 meses do Ebitda) nos relatórios do terceiro trimestre de 2020, embora esse nível esteja muito abaixo das convenants (cláusulas) da companhia, de 3,75 vezes.
“Por fim, destacamos o risco de diluição dos acionistas que não subscrevem a oferta primária de 68,6 milhões de ações, o que corresponde a 22,6% das ações atualmente emitidas”, afirmam os analistas.
Em relação à Cemig, o Safra observa um movimento positivo, “mostrando uma boa iniciativa de gestão logo no início do ano”. “Em nossa opinião, a alienação da participação da Light poderia ser um empurrão para a alienação de ativos não essenciais da Cemig (ou seja, Belo Monte, Santo Antonio, Gasmig e Taesa)”, diz o relatório.
A classificação para a Light (LIGT3) é neutra, com preço-alvo a R$ 17,20, conforme os analistas. “Apesar da recente valorização das ações, sua concessão continua sendo uma das operações mais complexas do Brasil. Adotamos uma postura conservadora antes de termos mais visibilidade sobre as novas iniciativas de gestão para o futuro da Light”, afirmam.

Deixe uma resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.