Líder do governo tenta anular convocação de Braga Netto para explicar gastos


Ministro foi convocado para explicar compra de picanha, cerveja, bacalhau, filé e salmão pelas Forças Armadas O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), protocolou requerimento para solicitar que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), anule a convocação do ministro da Defesa, para prestar esclarecimento sobre a compra de picanha, cerveja, bacalhau, filé e salmão pelas Forças Armadas.

Em março, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) aprovou, em votação simbólica, o requerimento para convocar o ministro, o que o obriga a comparecer ao Poder Legislativo para dar explicações.

Para sustentar o pedido da anulação, Barros alega que Braga Netto não havia assumido o comando do Ministério da Defesa quando o requerimento foi aprovado. Por isso, em sua avaliação, houve “desvio de finalidade”.

O ministro foi empossado em 6 de abril, mas sua indicação foi formalizada no Diário Oficial da União em 30 de março, um dia antes da aprovação do requerimento pela comissão.

“Diante das informações veiculadas nos meios de comunicação de que era iminente a troca no comando da pasta, o presidente daquela comissão [deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)] resolveu riscar do requerimento o nome da autoridade convocada, na tentativa de que a convocação fosse redirecionada ao senhor Walter Braga Netto, que sequer havia tomado posse no cargo de Ministro da Defesa”, aponta o líder do governo na Câmara.

No dia da votação do requerimento, parlamentares da oposição pediram que o nome do ex-ministro Fernando Azevedo e Silva fosse suprimido. Por isso, a convocação foi direcionada para o novo titular da pasta.

O requerimento aprovado pela comissão trata da compra de alimentos pelas Forças Armadas, mas Braga Netto deve ser questionado pelos parlamentares de oposição sobre as mudanças feitas nas Forças Armadas após ser indicado como ministro da Defesa.

Autor do requerimento, o deputado Elias Vaz (PSB-GO) disse que encontrou a compra de 80 mil latas de cerveja para os militares em 2020 e indícios “claros” de superfaturamento de bens. “Encontramos a compra de picanha, 13 mil quilos, no valor de R$ 84 o quilo da picanha. E alcatra a R$ 82 o quilo. São preços claramente superfaturados”, disse.

Braga Netto
Pablo Jacob/Agência O Globo

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